Connexions>Conexões

Estou devendo este post já faz um tempinho, mas agora vai. Desde setembro desse ano, está em exposição no SESC Pompéia, a mostra Connexions>Conexões (de la nouvelle scène graphique | do novo panorama gráfico), que tem como motivo traçar um paralelo entre a produção do design gráfico brasileiro e francês.

A exposição, sob a curadoria de Christele Kirschtetter e Rico Lins, como eu já havia dito no outro post, está cheia de trabalhos inventivos, de alta qualidade e realmente inspiradores. Os designers que tem trabalhos na exposição são: David Poullard, Valence, Fanette Mellier, Frédéric Teschner, Gregoire Romanet, Helmo, Lieux Communs, Mathias Schweizer, Pierre Perronet e Wijntje van Rooijen, Trafik (representando a França); e Arterial, BijaRi, Crimes Tipográficos, Cubículo, Daniel Trench, Elaine Ramos, Grupo Piratininga, Super Uber, noz.art, Ps2 (representando o Brasil). Dos franceses eu não conhecia nenhum e me impressionei com praticamente todos; dos brasileiros eu já conhecia alguns e sabia que não iria me arrepender de ver mais trabalhos!

A montagem da exposição, que não está linear, pode confundir e cansar um pouco, ainda mais por estar num espaço relativamente pequeno. Mas desse “caos” à primeira vista, abrem-se mil possibilidades e, mais importante, a conexão com (e entre) as obras e com o estado contemporâneo, que é o grande foco (da mostra e dos designers/artistas). Ainda sobre a montagem digo que senti um pouco de falta de algumas explicações sobre as obras (algo meio didático, assumo), embora isso possa ser respondido pelo sentido da interpretação e participação individual de cada um.

Existem sim textos interessantíssimos sobre cada designer (ou dupla, ou coletivo etc), que num esquema pergunta-e-resposta, evidenciam, exploram e determina as razões e os motivos de cada qual, porém como são muitos textos, e eles não são curtos, esse artifício acaba tornando-se deveras cansativo, muito embora interessante. Uma pena que esses textos não estão disponíveis no folheto, onde poderíamos ler com mais calma e de modo mais confortável.

Enfim, em resumo é isso que posso dizer. Não vou explorar muito as obras em si, porque a graça mesmo é ir e se “espantar”. Aproveitem que essa é a última semana da exposição! Quem for, vai ver que está muito legal e muito inspiradora, principalmente se você está se sentindo meio perdido e sem rumo (meu caso), e se você foi, deixe a sua opinião (concordando ou não com o que escrevi aqui)! =)

Para ver mais fotos, clique aqui!

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Connexions>Conexões
Onde: SESC Pompéia | Rua Clélia, 93 – São Paulo
Até 21/11/2009
Terça a sábado, das 10h às 21h | Domingos e feriados, das 10h às 20h

p.s.: pra finalizar eu PRECISO falar sobre esse folheto. Como vocês podem ver na foto, ele tinha “desmontado”, aí você destacava um, dobrava (seguindo as instruções) e montava! uma coisa linda! fiquei fã!

p.s.2: destaque para o modelo da foto, o querido Iberê!

Quem nunca foi feliz?

Eu já fui bem feliz, mas a sorte era que eu sabia. Disso, eu não posso reclamar.

(mais um pôr-do-sol na região da Radial Leste, aqui, na plataforma de embarque do Metrô Belém)

Tipografia: uma apresentação

Hoje o assunto é um livro que eu comprei há mais de um ano e que ficou encostado todo esse tempo. Não por ser chato ou muito grande ou difícil; parado ficou pois eu estava todo absorvido pelo meu TGI e outros probleminhas dessa vida. Mas eis que esses dias eu peguei para ler e o fiz em três dias! A obra em questão é o livro da carioca Lucy Niemeyer, publicado pela Editora 2AB: Tipografia: uma apresentação.

tipografia uma apresentação lucy niemeyer

O livro, de 112 páginas, é um pequeno manual introdutório sobre um assunto deveras complexo e essencial para qualquer designer gráfico: a tipografia. Com uma linguagem fácil e acessível, é perfeito para uma apresentação ao assunto (como já bem diz o título). Nessas poucas páginas Lucy nos resume a história da tipografia, com suas espécies e partes, além de ensinar sobre o seu reconhecimento, sua classificação (segundo a Classificação tipográfica Vox/ATypI) e falar um pouco sobre as fontes digitais. Na parte final ela também fala um pouco sobre a usabilidade das fontes, seus recursos e possibilidades de intervenção na diagramação.

Sim, é muito assunto para tão poucas páginas, mas Lucy escreve de uma maneira tão gostosa e sintética (sem ser vazia) que vale para iniciar os estudos, relembrar de alguns pontos ou apenas inspirar/começar alguma pesquisa. E é bem aí que está o trunfo do livro, é um pequeno manual para ser lido rápido e inflar dentro de cada um de nós o gosto de “quero mais”. Ou seja, se você está a procura de um start tipográfico, eu recomendo esse belo e pequeno livro. =)

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Tipografia: uma apresentação
Lucy Niemeyer
Rio de Janeiro, Editora 2AB, 2000

Connexions>Conexões (rapidinha!)

Olá Brasil!

Hoje foi a abertura da exposição CONNEXIONS>CONEXÕES (de la nouvelle scène graphique | do novo panorama gráfico), aqui em São Paulo, no SESC Pompéia. Eu estava lá para conferir as obras e fiquei extremamente feliz: muita qualidade, muita inspiração aos visitantes! Vale a pena ir conferir (e depois comentar aqui o que achou!)

Por hoje eu só deixo essas poucas palavras. Em breve, no fim de semana (eu espero!), eu posto um texto falando mais sobre essa ótima mostra. Fico por aqui, mas deixo o link das fotos que eu tirei hoje, digamos assim um “aperitivo” para vocês.  Clique aqui e veja!

Clique aqui e leia o post completo! =)

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Connexions>Conexões
Onde: SESC Pompéia | Rua Clélia, 93 – São Paulo
Até 21/11/2009
Terça a sábado, das 10h às 21h | Domingos e feriados, das 10h às 20h

O Olhar Direto de Paul Strand

texto por Augusto Gomes

Quem é fã de fotografia e mora em São Paulo não tem motivos para reclamar de 2009. Este ano, a cidade vem recebendo excelentes exposições – a mais recente delas é a dedicada a Henri Cartier-Bresson, que estreou semana passada no Sesc Pinheiros. Mas não é sobre o mestre francês que vamos escrever nesse post. O mestre é outro: o americano Paul Strand.

strand01

O Museu Lasar Segall, na Vila Mariana, exibe até o próximo domingo (27) uma retrospectiva com mais de 100 fotografias de Strand. A mostra leva o subtítulo de “Olhar Direto”. O nome tem uma boa explicação, já que “direto” talvez seja o melhor termo para definir seu estilo.

Strand começcou a fotografar nos anos 1910. Com uma câmera escondida, vagava pelas ruas de Nova York, capturando instantâneos da metrópole. Depois, interessou-se pela vida nas pequenas cidades, e fez ensaios na França e Itália, entre outros países. Nesses trabalhos posteriores, fotografavas as pessoas de frente, olhando diretamente para a câmera.

strand02

São esses retratos as obras mais marcantes de Strand. Neles, as pessoas parecem ter uma vida que sai da foto e chega até nós. Além das fotos, a exposição também tem um curta que ele dirigiu em 1921 junto com o artista plástico Charles Sheeler, com imagens de Nova York.

A exposição tem entrada gratuita e fica em cartaz no Museu Lasar Segall (Rua Berta, 111, Vila Mariana) até domingo (27), das 14h às 19h (18h no domingo).


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Agradecimentos especiais ao Augusto pelo texto especial aqui para o blog! :)

Objeto#5 Caderno de Rascunhos

Depois de três meses voltamos à nossa rotina aqui no blog, então hoje, vou escrever um pouco sobre uma certa “doença” que eu tive por um objeto e o que isso me levou a fazer.

moleskine

Já faz algum tempo que eu fiquei com muita vontade de ter um Moleskine, mas por diversos motivos eu acabei não comprando. Acho que o principal fato foi a utilização que ele teria: servir de caderno de rascunhos. Pode parecer bobagem, mas achei que não combinaria. Vou explicar a minha visão sobre o assunto: acho que um caderno de rascunhos (sketchbook) precisa ser algo BEM pessoal, ao ponto de ter a sua cara e precisar ter o “seu toque”. Claro que isso deriva de uma série de pensamentos meus e que também não impedem de você pegar seu querido-e-lindo-e-novo Moleskine e personalizá-lo ao seu jeito.

Enfim, disso saiu o meu caderninho (que nem de longe, se parece com um moleskine sofisticado), vejam:

meu caderninho 1

meu caderninho 2

Mas o post em si não é só pra falar que eu consigo fazer um caderninho rudimentar com os restos de materiais que tenho aqui em casa. Como eu disse lá em cima, eu tinha essa vontade de ter um moleskine/sketchbook/caderninho, mas a coisa toda de ter algo personalizado veio de quando eu descobri esse lugar e seus produtos: Portfólio – Ateliê de Encadernação.

portfólio ateliê de encadernação

A Portfólio fica na Vila Madalena (ali na Mourato Coelho) e além de vender diversos tipos de produtos também tem cursos de encadernação. Entre no blog deles e se delicie. E não deixe de visitar a loja, que é muito simpática! Por hoje, é isso.

Flicts

Pra retornar (e retomar) ao blog, eu decidi escrever sobre algumas coisas específicas que me influenciaram (e influenciam muito), dentro e fora do campo profissional. Inaugurando essa pequena série pessoal vou postar sobre um pequeno livro que eu gosto muito e que me faz ter muita vontade de criar. É um livro ilustrado, um livro infantil, um livro cheio de força: Flicts, do grande Ziraldo.

Flicts, do Ziraldo

Ziraldo, que é uma figura reconhecida em diversos campos, publicou esse livro há 40 anos (sua primeira edição data de 1969). Partindo com muita simplicidade, Ziraldo cria uma história simples e tocante (uma cor a procura do seu lugar no mundo) que possibilita uma diversa gama de leituras e interpretações. Com a simplicidade desse enredo, cheio de possibilidades e extremamente visual, ele põe a ilustração como elemento chave, e as cores como as grandes protagonistas. Pondo à mesa uma estética moderna e indícios minimalistas, Ziraldo traz esse mundo de referências para as ilustrações do livro, carregando-o de força e significação, utilizando todas as possibilidades expressivas das cores.

flicts vermelho flicts amarelo

flicts azul

Assim, o que eu posso recomendar é: leia essa pequena obra. É uma singela aula sobre a cor, a ilustração e, porque não, sobre a vida. :)

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UPDATE: acabei de ver no lindo blog amenidades do Design, uma pequena seleção de cartazes do Ziraldo, que estão compilados no livro do Ricardo Leite (Ziraldo em Cartaz). Confiram! =)

E quando…?

e quando...?

Olás e olás!

Depois de quase um mês sem postar nada, estou de volta. Se alguém se sentiu “orfão”, desculpas. Sabe quando você tá naquela maré meio ruinzinha, sem inspiração e sempre cansado? É bem por aí que estou, mas como isso também não é desculpa, estamos cá de volta à labuta de escrever: um textinho aqui, outro ali; um pouco sobre design, arte ou qualquer coisa que surgir; assim, caminhamos.

Tanto tempo também me deixou bastante pensativo e logo mais teremos novidades (eu espero!). Alias, mudei o template e estou com idéias pra essas imagens de cabeçalho. Talvez alterar todo mês o que acham?

Fico por aqui, por hoje. Até mais!

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P.S.: crédito da foto, Augusto Gomes. Veja essa foto e outras aqui.

À Espera

fila de espera

Uma fila é uma fila. Aqui, é por um produto meio escasso: a cultura.

MASP / O vermelho e o vão

masp / o vermelho e o vão

Museu de Arte de São Paulo, mais conhecido como MASP, talvez este seja o símbolo mais significante da cidade de São Paulo, portanto, nada mais justo que começar uma série de re-visitas à cidade por este cartão postal. Essa categoria de textos não tem uma intenção turística, e sim uma intenção de voltar à raiz. Eu considero que raiz seja aquilo que me formou, direta ou indiretamente. O que pretendo aqui é falar sobre espeços visuais específicos da cidade. Podem ser os museus e galerias de arte, mas também as ruas, os bairros. O que importa aqui é a riqueza visual.

Se eu olho para o meu passado japonês, para o meu passado no interior do estado, meu passado de sonhos, eu também devo olhar para a cidade em que vivo e considero parte inseparável, apesar de achar que não deve existir uma “estética” paulistana, apenas algo semelhante ao pós-modernismo cru, uma fragmentação absoluta de tudo o que se pode imaginar. Uma visão abstrata feita de uma cidade de diversas imagens contrastantes.

masp e a avenida paulista

Fica uma tarefa árdua, então, escrever sobre esse símbolo. Representa muito, fala-se muito, mostra-se muito, reproduz-se muito… mas o que eu realmente vejo neste edifício tão incomum? Sabe-se da sua grandeza, das obras que possui, das crises que o aterrorizam, do trabalho educacional, mas seria apenas isso?

De cara ele me remete a um desejo criativo, de uma liberdade, de algo da cidade mesmo. Há um sofrimento em cada aresta, que quando se olha para a cidade, estando onde era o belvedere, só se intensifica e pode-se ver uma cidade que subiu, mas que não sabe bem quem ela é. Penso que todo paulistano guarda, mesmo que sem saber, um pouco disso, desse lado perdido e forte, d’uma melancolia brutal e construtiva, um grande desejo de ser alguém, mesmo que esse alguém continue perdido.

masp

E do alto de sua modernidade atemporal torna aquele espaço no meio da avenida um frescor, uma vontade que deixou de ser um breve sonho-projeto, para ser um marco desconhecido. E pensar, que apesar de toda essa influência, eu só fui conhecer o MASP por dentro, somente alguns meses atrás. Essa é sua glória e sina: todos têm um conhecimento íntimo, que ultrapassa a visita real, ninguém precisa entrar para ver, ninguém precisa mais desvendar sua história, ele é um grande monumento ao conhecido-esquecido.

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MASP (Museu de Arte de São Paulo)
Ano de Inauguração: 1947 (Instituição); 1968 (Edifício atual)
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – São Paulo/SP

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