Uma pausa

07/08/2012 § Deixe o seu comentário

Meses depois cá estou aqui novamente. Desta vez não quero dizer, escrever ou explicar nada, simplesmente decidi escrever que estou colocando uma pausa neste meu blog. Pensei bastante antes de escrever aqui, cheguei a querer escrever algo mais extenso e profundo, mas não cabe no momento em que estou vivendo. A real é que estou querendo me doar às coisas de um outro modo, querendo ser mais simples, rápido e direto. Fácil de explicar, díficil de escrever.

Não sei quanto tempo ficarei sem escrever aqui ou se voltarei a escrever, mas a quem interessar estou em um novo blog: a dança da solidão – cujo o nome não sei explicar ainda. Então recomendo que você entre e me acompanhe nessa nova aventura. :)

Até logo, até mais, até breve. Espero.

Feminina

06/03/2012 § 1 Comentário

Quero simplesmente fazer minha singela homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Não pensei neste post simplesmente para essa “comemoração”, o que ocorreu foi que, ao tempo que estava pesquisando sambas para as minhas playlists comemorativas de 4 anos, me deparei com as brilhantes obras de Dona Ivone Lara, Gisa Nogueira e Leci Brandão – três compositoras de samba.

Gisa Nogueira, Dona Ivone Lara e Leci Brandão - essas lindas

Elas não são, de fato, as únicas. Poderíamos citar outras, ouvir outras e falar sobre outras. Mas, hoje escolhi falar delas por serem três que eu recentemente tomei contato profundo e comecei a admirar ainda mais. São mulheres no samba, são mulheres compositoras, são mulheres num campo extremamente masculino. São mulheres, são pessoas, acima de tudo, para se admirar como um todo, por seu valor, garra e força.

A ideia aqui não é de contar a história delas, das batalhas, dos entraves e dificuldades, sei que vou falar de modo bem geral. Mas é minha intenção: jogar a faísca. De qualquer modo, o simples fato de ser compositora, no samba ou não, já é uma evidência da determinação delas. Afinal, é sabido que, historicamente, as mulheres não participam [ou são deixadas participar] da composição musical. E vejam bem, não estou, definitivamente, fazendo uma playlist com sambas compostos por elas apenas por serem mulheres e eu estar homenageando o feminino no samba. Muito além disso, suas obras são brilhantes [ou seja, contém um brilho especial, distinto], são ricas, complexas e vastas – como a de muitos compositores homens não são.

Com o nome da playlist [Feminina], também aproveito para homenagear outra compositora fantástica, a Joyce. Ela não é exclusivamente uma “sambista”, ainda que beba desta água, como uma parte da música popular brasileira. Também dá nome, e foi incluída, pois é uma canção que nos revela mais deste “ser feminina”, além de outras interpretações mais complexas que esta.

Apesar da data [8 de março] ter sido um estopim para esta seleção, este escrito e reflexão, quero que isto não se isole aqui. Não apenas estas grandes mulheres, como todas as outras, tem de ser vistas, compreendidas e respeitadas por todos os outros dias do ano. Coisa banal, escrita assim, ao lado desta data, mas é uma afirmativa muito séria para mim. Não bastará apenas olhar para elas durante, no máximo, uma semana do ano. Ser compositora é uma tarefa árdua, mas não apenas a composição nos revela isso – e é nisso que temos de deter nossas atenções e preocupações.

Quero me deliciar com este feminino na música, sempre.

Feminina by Shin Hatagima on Grooveshark

Sereia Guiomar | Ivone Lara & Délcio Carvalho
Dona Ivone Lara & Maria Bethânia | Sorriso Negro | 1981

A janela | Gisa Nogueira
Gisa Nogueira | Saldo Positivo | 1978

Cadê Marilza | Leci Brandão
Leci Brandão | Antes que eu volte a ser nada | 1975

Quero sim | Darcy da Mangueira & Leci Brandão
Alcione | Gostoso Veneno | 1979

De novo desamor | Gisa Nogueira
Beth Carvalho | Pandeiro e Viola | 1975

Alvorecer | Ivone Lara & Délcio Carvalho
Clara Nunes |Alvorecer | 1974

Feminina | Joyce
Joyce | Feminina | 1980

P.S.: Ontem, procurando imagens para ilustrar este post, qual minha surpresa em encontrar duas fotos em que estas três lindas estão juntas – aparentemente num projeto homenageando Pixinguinha. Que delícia! :)

P.S. 2: Não posso, de modo algum, deixar de agradecer a Babi por permitir que eu usasse uma foto [a original você encontra aqui] dela para ilustrar minha playlist. Não foi uma escolha ao acaso, vale colocar, pois ela é uma mente preocupada com estas questões femininas. E, além disso, é uma mulher que eu admiro muito!

Quem lucrou fui eu

22/02/2012 § 1 Comentário

Pra começar, vamos ser óbvios: começando pelo começo, a primeira playlist só poderia ser sobre o fim de um romance. Mas, vejam bem, não um fim melancólico [chorando no tapete atrás da porta], sim um fim em que quem foi rompido dá a volta por cima e vai festejar o teu sofrer, o teu penar.

Começo por aqui pois, quando eu voltei a ouvir samba, eu estava num namoro, que pouco tempo depois terminou. Na época, estava escutando os quatro volumes do Casa de Samba [projeto encabeçado pelo grande Rildo Hora], onde foram regravados sambas como “Lenço”, Você passa, eu acho graça”, “A flor e o espinho” e “Volta por cima” [em duetos muitas vezes inusitados e bem sucedidos, outras vezes não]. E foram justamente estes sambas que citei que imediatamente me tocaram, por serem canções que retratam o fim de um amor: de uma forma ou de outra mostram um sofrimento pelo amor desfeito, mas também não ficam apenas lamentando.

Claro que as situações expostas nas músicas não foram 100% do que ocorreu comigo e com o fim do meu namoro, mas viver aquilo como se fosse verdade me ajudou. E foi justamente o ritmo quente que me (re)encantou, afinal, porque as músicas de fim de romance tem de ser tristes? Ver que a alegria que existia, e que estava no samba, me reconfortava e deu uma boa força – foi esse o meu primeiro prazer nessa volta.

O samba “Quem lucrou fui eu”, do Monarco, e que dá o título desta playlist, além de sintetizar o tema desta compilação, também remete ao fato de ter sido um fim de romance que intensificou a minha volta ao samba, bem como fez com que ele fincasse raízes. Ou seja, sim, quem lucrou com este fim de namoro fui eu.

Nesta playlist eu foquei bastante nos sambas que eu ouvia na época (que é o caso de “Samba de um minuto”, além dos já citados oriundos da Casa de Samba) ou que, hoje, eu vejo que tem muito a ver com o tema – todo o resto de sambas. Claro que as versões que coloquei aqui não são, necessariamente, as que eu ouvia quatro anos atrás, exceto pelo dueto do Noite Ilustrada e da Cássia Eller de “Você passa, eu acho graça”.

Enfim, chega de papo e bóra curtir um bom samba e espantar a desilusão. :)

Quem lucrou fui eu by Shin Hatagima on Grooveshark

Teu amor é falso | Duani Martins
Mariana Aydar | Peixes Pássaros Pessoas | 2008

Derramando lágrimas | Alvarenga O Samba Falado e Délcio Carvalho
Clara Nunes | Clara | 1981

Vou deitar e rolar (quaquaraquaquá) | Baden Powell e Paulo César Pinheiro
Elis Regina | Em pleno verão | 1974

Mal de amor | Mauro Diniz, Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho
Mauro Diniz | Raça Brasileira | 1985

Samba de um minuto | Rodrigo Maranhão
Roberta Sá | Que belo estranho dia pra se ter alegria | 2007

A flor e o espinho | Alcides Caminha, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho
Elizeth Cardoso | Elizeth sobe o morro | 1965

Volta por cima | Paulo Vanzolini
Dóris Monteiro | Gostoso é sambar | 1963

Quem lucrou fui eu | Monarco
Maria Creuza | Maria Creuza e os grandes mestres do samba | 1975

Sorriso aberto | Guará
Jovelina Pérola Negra | Sorriso aberto | 1988

Você passa, eu acho graça | Carlos Imperial e Ataulfo Alves
Noite Ilustrada & Cássia Eller | Casa de Samba 4 | 2000

Lenço | Francisco Santana e Monarco
Monarco | Monarco | 1976

Vou festejar | Naoci, Dida e Jorge Aragão
Beth Carvalho | De pé no chão | 1978

Ao voltar do samba | Sylval Silva
Ná Ozzetti | Balangandãs | 2009

Alegria | Cartola e Gradim
Velha Guarda da Mangueira * | Raízes da Mangueira | 1958

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* Coloquei aqui Velha Guarda da Mangueira, mas segundo alguns sites de banco de dados de gravações, o artista deste álbum não é considerada a Velha Guarda em si. No Discos do Brasil, você pode conferir que são “vários intérpretes”, mas os cantores desta faixa são, em coro, Babaú, Cartola, Jorge Zagaia, Jurandir da Mangueira, Nelson Sargento e Xangô da Mangueira.

Quatro anos de samba

22/02/2012 § 1 Comentário

Há quatro anos estava eu revirando alguns CDs velhos em casa e escutando alguns LPs na casa da minha tia: foi o começo da minha “volta ao samba”. Depois de um bom período, me deu a vontade súbita de escutar novamente coisas que eu gostava quando era menor. Desde então não parei mais e hoje relembro um pouco de tudo isso.

Eu pensei em várias palavras e frases empoladas e dramáticas para este texto, mas quero me distanciar disso, na medida do possível, pois sinto que elas diminuem o que eu realmente gostaria de expressar.

Voltar a escutar samba foi muito bom, foi muito importante e não foi simplesmente uma coisa banal. Coincidiu e deu força a um próprio movimento da minha vida, de resgate, um resgate sobre quem eu era / sou. Sei lá, é muito difícil explicar com palavras neste momento, muito pois é a primeira vez que eu paro especificamente para pensar e escrever sobre isso.

De qualquer forma, essa volta foi como voltar a raiz. Não sei bem que raiz ou que tradição inventada é essa [e aqui eu estou usando palavras fortes, dramáticas e explosivas para tentar expor algo que não sei bem o que é], mas, em outras palavras, esse retorno à fonte foi um indicativo de uma mudança de visão de mundo que eu tinha, foi a pista mais visível do meu interesse, gosto e preocupação com elementos da nossa cultura nacional [ainda que eu saiba, vejam bem, que o não é samba o elemento único ou da gênese da cultura brasileira, apenas pontuo como um dos caminhos que nos podem levar a esta investigação - e aquele que eu escolhi neste momento]. Enfim, o fato é que depois de voltar a escutar samba eu comecei a pensar nessas coisas e desse modo, o que me leva, invariavelmente, a pensar que essa retomada, essa volta, foi essencial para que hoje eu esteja aqui [fisica e virtualmente falando].

E penso que apenas hoje, depois destes anos, seja possível fazer essa retrospectiva pois sinto que estou atingindo uma certa “maturidade” no samba. O que quero dizer é que agora estou ampliando o espectro do que eu ouvia, procurando coisas que eu ainda nõ ouvia, escutando novamente músicas que eu anteriormente não gostava, tentando rever alguns preconceitos e, principalmente, com vontade de participar mais, de ir aos lugares, às rodas, aos blocos, aonda quer que seja. Agora chegou o momento de sair pelas ruas, não apenas ficar gostando e curtindo samba dentro de casa ou no meu iPod.

Enfim, este, como vocês podem ler, é um post de introdução. Nas próximas semanas e meses, pretendo colocar aqui algumas playlists me debruçando por essa breve história, destes quatro anos. A história em si é um tanto conturbada e alguns fatos já estão meio apagados da minha memória, mas de pouco a pouco tentarei retomá-la.

Agora é deixar o samba passar. :)

Feliz ano novo – de novo

01/02/2012 § Deixe o seu comentário

Eu realmente estava preparando um posto todo rebuscado e introspectivo para comemorar a minha passagem de ano (que é um tanto quanto espiritual e, apenas os mais próximos vão entender). Mas… pra quê?

Uma coisa que me ajudou/alegrou/animou neste mês de limbo [também conhecido como Janeiro] foi voltar a escutar uns bons sambas da Beth – ao menos de maneira mais “sistemática”. Então eu deixo o samba falar por mim, deixo um samba que de uma certa maneira traduz o que eu espero/quero/desejo, para todos nós, neste ano. :)

Deixa a Beth cantar!

Xô gafanhoto!

7 sambas para São Paulo

24/01/2012 § 1 Comentário

Mesmo passando muito tempo amando, depois odiando, depois suportando, depois tentando entender, acho que nunca homenageei publicamente a cidade de São Paulo – ou, pelo menos, não me lembro de imediato. Mas digo: gosto de viver aqui.

E, inspirado nessa seleção de músicas sobre São Paulo, feita pelo IG, resolvi fazer minha singela homenagem, escolhendo sete sambas que mostram alguns dos inúmeros, infindáveis olhares da cidade: seja um lamento nostálgico, um conto sobre o viver na cidade ou uma exaltação da sua vivacidade.

De qualquer modo, parabéns São Paulo. :)

 

1_ São Paulo, menino grande
Geraldo Filme | Geraldo Filme (1980)
 
2_ Garoa, resistência do meu samba
Tias Baianas Paulistas Memória do Samba Paulista | Tias Baianas Paulistas (2009)
 
3_ Roda de Sampa
Kiko Dinucci e Bando AfroMacarrônico | Pastichê Nagô (2008)
 
4_ Samba lá em São Mateus
Berço do Samba de São Mateus | Berço do Samba de São Mateus (2007)
 
5_ Praça Clóvis
Beth Carvalho | Canta o samba de São Paulo (1992)
 
6_ Praça 14 Bis
Dona Inah | Olha quem chega (2008)
 
7_ Vide verso meu endereço
Adoniran Barbosa | Adoniran Barbosa (1975)

 

 

Ps: minha intenção era colocar uns vídeos do youtube pra ilustrar minha playlist, mas como resolvi bancar o “indie-do-samba” não encontrei a maioria das músicas. Desculpem, ok? Mas ficam os vídeos da Dona Inah cantando Praça 14 Bis, no Samba da Vela (<3) e o Adoniran cantando Vide verso meu endereço. De qualquer modo, fica a dica dos outros sambas, menos conhecidos, para vocês ouvirem nesta data. :)

Três livros, três momentos, três pausas

20/01/2012 § 3 Comentários

Escrevo pra não me esquecer.

Luz em agosto

Comecei a ler esse livro muito tempo atrás, não sei nem colocar uma data aproximada. Só sei que quando eu comprei o livro, eu estava em busca de um autor que eu ainda não tinha lido nada e fui influenciado por uma nota, da época do lançamento dessa edição. Nem me lembro direito da resenha, obviamente, mas me lembro bem que ela me deixou um tanto quando instigado a ler – talvez por citar o ar sombrio e desolado que existe no livro. Este livro fez bem pra mim, um bem pelo mal: da densidade e perturbação, do clima escuro, sóbrio e soturno, da ríspidez e brutalidade de cada linhas… mas mesmo assim eu o abandonei.

 

 

Os sofrimentos do jovem Werther

Ano passado eu fiz um curso de alemão, apenas o básico, gratuito, na Faculdade de Educação. Não nego que eu fiz apenas para ter um certificado e contar para as horas de estudo independente que a grade de pedagogia nos obriga a fazer. Pois bem, mas daí eu descobri que a língua alemã é muito mais interessante e legal do que eu imaginava: ela realmente me encantou – anteriormente, em contato com a obra de Norbert Elias, eu já havia me aproximado da língua e cultura, por assim dizer, mas não com a mesma amplitude do estudo da língua em si. Ao mesmo tempo, descobri esse livro na casa da minha tia. Peguei, comecei a ler, me acostumei com a estrutura e linguagem, aprendi a gostar da situação, dos personagens, me envolvi e daí… parei.

 

 

A Era da Revoluções

Entender a história, tudo começou assim. E com isso em mente, fui na Feira de Livros da USP, procurando livros que me ajudassem a entender um pouco mais sobre os nossos tempos – por mais banal e clichê que possa e soe essa frase. Logo que entrei na FEUSP, li um texto do Hobsbawm, do seu livro “A invenção das tradições” e fiquei alucinado por ele [não estou sendo exagerado]. Quando descobri que ele tinha uma série de livros que tratava sobre o século XIX, período que sempre foi um mistério para mim, resolvi caçá-los. Nesta feira eu comprei os três volumes e comecei a ler o primeiro [o citado livro]. Apesar da quantidade de informações surreais para um “leigo”, eu me senti, pela primeira vez, vendo as coisas com um pouco mais de perspectiva. Num crescente, eu fui querendo mais, lendo mais, entendendo [ou não] mais, prosseguir mais e, de um dia pro outro, deixei o livro de lado.

 

E o ano começou, com esses três livros pela metade, e tantos outros sequer iniciados.

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