Obsessão, descaso, arrependimento… no amor

09/12/2008 § 1 Comentário

A Fronteira da Alvorada

Neste primeiro parágrafo eu preciso expor claramente que não gostei do filme. Vejo este filme como uma tentativa frustrada de ser algo cabeção demais. O máximo que se consegue é ser: maçante, folhetinesco, boring. Enfim, não vou me ater às “falhas” fílmicas, não é esse meu objetivo. O filme traz algo coerente, mas demora-se a dar as pistas para uma construção, não muito criativa. Pode agradar, porque é um tema atual.

Demais o que se percebe é que se trata de um filme que revela o estado de inércia dos tempos atuais, onde as pessoas estão tão presas a algo que simplesmente não conseguem se aprofundar em algo, falta foco. O relacionamento amoroso, assim como qualquer outra situação, então se torna uma fuga, ou para uma obsessão, ou para um descaso total, ou ainda para um arrependimento tardio. É o que fica claro, na esfera da obra.

Realmente por vezes chegamos num ponto onde a insensibilidade está tão alta, que simplesmente nos tornamos rudes e grosseiros, como uma pedra crua, e somos tão incentivados a agirmos como animais, que não vale a pena abrir concessões aos outros. Teimosia, comodismo, inflexibilidade. O relacionamento torna-se uma via de mão única. Seria uma desconstrução da razão e dos valores dos sentimentos, de compartilhar, de viver junto. Perde-se o costume de conviver, um sintoma realmente em alta no mundo. Perceba.

E apesar do vazio, os fantasmas do passado individual de cada um continuam bem vivos, e influenciando nossa percepção, sentidos, vida. Em tudo que nos tange, precisamos estar atentos, porque segundo a lição folhetinesca do filme: devemos sempre estar atentos, para não deixarmos a oportunidade do amor passar. E acreditem, o amor passa.

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Título:
A Fronteira da Alvorada
Título Original:
La Frontière de l’aube
Direção:
Philippe Garrel
Elenco:
Louis Garrel, Clémentine Poidatz, Laura Smet, entre outros
Ano:
2008

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§ One Response to Obsessão, descaso, arrependimento… no amor

  • Arthur diz:

    Acho que quando o amor é resultado de uma paixão e culmina em uma amizade, ele adormece.
    E isso não é necessariamente uma escala decrescente.
    O filme em si é realmente chato, poderia ter parado no meio que aí todos sairiam felizes, pensando e até poderia passar a imagem de um filme cabeção mas depois daquele jogo de sutilezas idiotas, como a parte do antissemita, cagou no maiô.

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