Três momentos da Cisne Negro

11/04/2009 § Deixe um comentário

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Nesta última quinta-feira a Cisne Negro Cia. de Dança apresentou no SESC Vila Mariana três coreografias de seu recente repertório: Fruto da Terra; Cherché, Trouvé, Perdú; Trama. Nessa minha vida, se não me engano, já havia visto alguma coisa desta particular e bela companhia de dança, mas de nada mais me lembrava. Eis que decidi ir ao espetáculo de ontem, que não espantosamente, me deixou boquiaberto.

A bela delicadeza da exploração dos movimentos é, o que me parece, a principal virtude da Cisne Negro, mas não a única. A reunião dessas coreografias, nesta ordem, foi tão bela e forte, que mal posso explicar. Quando Fruto da Terra começou, um clima de tensão se revelou: entre a brutalidade do trabalho braçal e a dança apresentada havia um abismo, que tão logo foi rompido, mesclando a repetição da labuta com a poesia da coreografia. No término, eu estava abismado com tamanha harmonia deixada no ar e minha cabeça fervilhava com tudo isso.

O segundo bloco trouxe Cherché, Trouvé, Perdú; Procurar, Encontrar, Perder. De força expressiva angustiante, essa coreografia lançou-se ao campo dos sentimentos e formas humanas, não importando mais nada, que não o próprio ser, que somos nós. A contemporaneidade estava clara neste momento e contrastando com o primeiro bloco, mostrando a potencialidade da Cisne Negro. Não havia medo, era uma força antes contida que agora se atirava no palco.

Por fim, veio Trama, que sintetizava a pesquisa de uma sociedade com a agilidade do contemporâneo. Com cenário e tema brasileiro, esta coreografia esbanjava beleza e magia. Com certeza a mais bela das danças apresentadas, pelo menos, para mim. Tudo em seu devido lugar, trabalhando o cotidiano com a poesia, o popular e a brincadeira com a complexa trama do povo brasileiro, a profundidade com o riso. Inclusive a imagem deste post é desta coreografia, onde o cenário e o figurino ressaltavam todos esses aspectos.

Eu não me lembrava que a dança era algo tão prazeroso. Como designer eu sinto que há muito há explorar. Há tanto que aprender, e eu me sinto melhor por ter vivenciado tal apresentação. Tantas vezes nos fechamos em nossos mundos, criando um isolacionismo tão besta que nada tem a nos acrescentar. O tempo para todos nós é escasso, queremos viver e ser livres. Mas ontem ficou claro. Mesmo você aí, que não gosta de dança, ou de qualquer coisa, deve um dia se dar para o desconhecido, se jogar, assim como os protagonistas desse espetáculo, e deixar-se levar pela boa maré do mundo das artes, e aí experimentar um pouco da liberdade.

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Cisne Negro Cia. de Dança
Direção: Hulda Bittencourt
Elenco: Carolina Grizante, Carolina Martinelli, Denise Siqueira, Diogo de Carvalho, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Isaac Araújo, Joel de Oliveira, Leandro Neves, Nelson Luiz, Naiane Avelino, Rebeca Ferreira, Ricardo Alves, Rossana Boccia, Victoria Oggiam.
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Fruto da Terra
Coreografia: Itzik Galili.
Ano: 1999
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Cherché, Trouvé, Perdú
Coreografia: Patrick Delcroix.
Ano: 2002
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Trama
Coreografia: Rui Moreira.
Ano: 2001

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