Objeto#6 Boneca

25/04/2011 § 5 comentários

Acredito que uma forma de compreender o homem e a sociedade, é pela análise dos objetos que pertencem e, de uma certa forma, estruturam a relação dos indivíduos com a natureza, a sociedade e a cultura. Mas enfim, longe de lançar questões mais profundas, este post é para continuar meus escritos sobre objetos que estão, ou estiveram, presentes na minha vida. Desta vez, vou me ater a um objeto, digamos assim, peculiar: uma boneca.

Falo delas (pois, na realidade, são duas bonecas) pois vejo como minha relação com elas se tornou muito “íntima”. E pensar que tudo surgiu de uma noite de embriaguez com amigos e de uma promoção de dia das crianças no submundo (entendam como quiserem… rs). Desse episódio surgiu Vanusinha (mais conhecida como Wahnnuzynñìya), e posteriormente Bozzany.

O fato é que essa relação “íntima” vem pelo fato de ser um objeto totalmente emocional, digo, é um instrumento que se relaciona com a amizade que eu tenho pelos queridos Luan, Lilian e Alex, e que eles tem por mim (espero). Outro fator que revela essa “intimidade” é a utilização delas para dois ensaios fotográficos (“O verbo no infinito” e “Emotional landscapes”).

Essa dupla vivência, digamos assim, possibilitou essa relação tão especial com esse objeto. E pensar no que significa(m) essa(s) boneca(s) na minha vida, mesmo que deste modo banal, primeiro me estremece, depois me alegra e por fim deixa um rastro misterioso. Poderemos ser felizes enquanto coisas fora de nós representam a felicidade?

Enfim, deixando perguntas sem resposta pela metade, penso que talvez ainda não esteja pronto para falar mais delas, da amizade, das coisas complexas que essas coisas nos trazem ou mesmo destes meus projetos fotográficos, mas senti vontade de esboçar um escrito simples sobre essas bonecas.

É que as olho constantemente e apenas sinto: algo que não há, ainda, palavras pra traduzir.

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Educomunicação e processos de criação

24/04/2011 § 2 comentários

Apesar de eu ser formado em design gráfico, o que de imediato remete a um pressuposto que sou, ou ao menos deveria ser, uma pessoa criativa, eu não me considero. Essa suposição renderia muita discussão e diversos posts, mas que não é o caso nesse momento. Agora, quero apenas expor uma parcela das coisas que me ocorreram por participar do Núcleo de Educomunicação do Lab_Arte – FEUSP.

Me refiro ao contato íntimo com os processos de criação que a educomunicação permite, contato esse que é possibilitado pelas condições de produção possibilitadas: ou seja, uma produção livre, onde o indivíduo (ou os indivíduos, no caso do nosso grupo, onde a produção é coletiva) faz aquilo que ele quer comunicar – sendo essa comunicação um resultado direto do que ele realmente deseja falar, dizer, escrever etc.

Pode parecer banal, resumindo em poucas palavras, mas quando alguém diz: “falem sobre o que quiser”, pelo menos para mim, para o grupo do Núcleo e algumas outras pessoas que conversei, o mundo entra em parafuso. Isso porque estamos muito acostumados a criar dentro de padrões estabelecidos, digo, criar dentro de condições previamente dadas (“vamos fazer uma redação com o tema x”, “que tal fazer um programa de rádio sobre y” e por aí vai). Sendo assim, o que a participação no Núcleo me propiciou de mais forte foi essa reflexão e prática livres.

Neste processo, entram em choque muitos valores e dilemas que já estavam postos e, de certo modo, consolidados. Pra mim, esse foi o maior ganho (tanto que é uma diferença tátil o meu estado antes e depois de participar desse grupo). Com este breve e singelo depoimento, quero apenas levantar essa questão e convidar outros a vivenciar essa prática.

Assim, sinto que tudo isso (e mais outras coisas que não esbocei aqui) são essenciais para a formação da pessoa e do professor (lembrando que esse é o foco do Núcleo) e, por conseguinte, para sua utilização em sala de aula (ou fora dela), propondo uma constituição mais generosa e ampla do indivíduo.

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Talvez eu esteja apenas esboçando e tangenciando demais os últimos temas que venho abordando aqui no blog, mas creio que neste momento seja essencial “começar pelo começo”. Espero que vocês entendam. =)

Passeando por mundos

23/04/2011 § Deixe um comentário

Já faz pouco mais de um ano que eu comecei a pisar em outro mundo, diferente daquele que eu posso considerar como meu “primeiro”, mas esta é a primeira vez que eu esboço uma reflexão textual sobre essa mudança, sobre esse novo mundo. Estou falando dos “mundos” do Design Gráfico e da Educação.

É certo que sempre tive uma queda pelos aspectos, representações e percepções visuais: desenho, pintura, fotografia etc. E me parecia natural seguir esse rumo. Segui, e fui bem feliz. Mas algo estava faltando e diversas questões me fizeram começar outra faculdade, que no caso foi Pedagogia. Ainda que eu não tivesse nenhuma prática ou experiência com educação, crianças ou ensino, era algo que me interessava. Uma forte ideologia estava intrinsecamente ligada e ela me guiou, por um caminho desconhecido e não planejado. Assim, sem querer, certeiramente acertei.

A experiência na Pedagogia me transformou e deixou meu olhar bem mais generoso. Ainda não posso ou consigo mensurar essa transformação, é certo, mas sinto isso bem forte. Agora, procuro passear por esses mundos e tentar conectá-los, digamos assim, esta é a minha atual força motora. Saí do design gráfico por estar insatisfeito com coisas que mal posso escrever, pois me parecem e são turvas, mas, de qualquer modo, sinto que o que vivencio hoje na educação, me permite repensar práticas e questões do design que sinto serem necessárias para a própria formação do designer.

Acredito nisso, talvez por todo esse processo que vivi ter possibilitado uma formação que expõe uma outra visão de mundo. Posso estar “errado”, mas por isso deixo aqui este esboço, para expor, ainda que de modo extremamente breve, esses pensamentos e discutí-los em conjunto. E também por isso vou levar essa discussão ao N Design (Encontro Nacional de Estudantes de Design) deste ano.

Sei que nesse breve escrito apenas esbocei minha trajetória e alguns pensamentos acerca dela, mas na atual circunstância senti uma forte necessidade de estabelecer esse contato, principalmente para não perder a essência. Outros estímulos me ocorrem agora e fluem na minha cabeça, explodindo. Sendo assim, sinto que em breve, poderei dizer mais sobre isso tudo, com ainda mais convicção.

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ps: “desculpem” esse desenho bem tosco… ainda estou me acostumando com a tablet… rs

Maria Creuza e os mestres do samba

01/04/2011 § 2 comentários

Se existe uma coisa, que rapidamente consigo afirmar ser constante na minha vida, essa coisa é o samba. Ouvia bastante em criança, e a presença do samba foi crucial para a minha formação. Apesar de momentos de afastamento, sempre “volto ao samba” por sentir essa íntima conexão.

Enfim, o que me traz a esboçar sobre o samba e sua importância para mim, é o fato de eu recentemente ter baixado e ouvido o álbum “Os grandes mestres do samba”, de 1975, da cantora Maria Creuza. A curiosidade é que ele, de alguma forma, desde cedo esteve presente na minha vida: havia uma coletânea em casa (que eu adorava ouvir e que realmente formatou meu gosto por samba), com várias canções, de diversos compositores e intérpretes, e dentre eles estavam “Chega pra lá” e “Exaltação a Tiradentes”, cantados por Maria Creuza.

Mais velho, lembrando disso, fui baixar um álbum dela e descobri o repertório geral dela nada tinha a ver com as minhas lembranças. E ficou por isso mesmo. No mês passado, voltei a ouvir a coletânea do “Cartola – 100 anos | o autor e seus intérpretes” e qual foi minha surpresa uma faixa cantada por Maria Creuza, “Pouco importa”. Fui vasculhar na rede mundial de computadores – a internet (LOL) e acabei por descobrir que essas três faixas, neste post citadas, pertenciam a um mesmo álbum, “Os grandes mestres do samba”.

O que é interessante é perceber que, mesmo não sendo uma “cantora de samba”, Maria Creuza fez um trabalho digno com um repertório off dos compositores homenageados com a categoria de “grandes mestres”. Para citar alguns: Cartola, Nelson Cavaquinho, Martinho da Vila e Monarco. Nesse repertório tão off, existem temáticas que são pouco vistas no samba, como em “Cordas e correntes” (em poucas palavras, sobre a mulher e o momento de independência feminina) e “Amor de mãe” (como o próprio nome diz, uma canção em homenagem às mães). Há também sambas bons de ginga e letra, mas desconhecidos, como “Rala rala”, “Alhos e bugalhos” e “Quem lucrou fui eu”.

E eis que aqui me reencontro com um menino de 6, 7 anos que passava a tarde ouvindo e cantando “chega pra lá, eu não quero mais te ver, já cansei de te aturar”.

Maria Creuza e os Grandes Mestres do Samba | Maria Creuza | 1975 
1 – Chega Pra Lá (Élton Medeiros/Joacyr Santana)
2 – Rala Rala (Wilson Moreira/Nei Lopes)
3 – Amor de Mãe (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito)
4 – Exaltação à Tiradentes (Mano Décio da Viola/Penteado/Estanislau Silva)
5 – Pouco Importa (Cartola)
6 – Soldado do Amor (Cartola/Nuno Veloso)
7 – Cordas e Correntes (Martinho da Vila)
8 – Quem Lucrou Fui Eu (Monarco)
9 – O Namorado de Maria (Xangô da Mangueira/Aniceto do Império)
10 – Alhos e Bugalhos (Zé do Maranhão)
11 – Madrugada (Zé Keti)
12 – A Timidez Me Devora (Jorginho / Walter Rosa)

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