Som definitivo

25/07/2011 § 2 comentários

Desde meados de março/abril deste ano eu estou fazendo parte do Coral Todos os Cantos, na FEUSP, tal experiência tem sido muito importante e legal para mim. E o que isso tem a ver com o álbum Som definitivo? Tudo. Digo o porquê: essa minha participação no coral fez com que eu tivesse vontade de ouvir coisas bacanas de grupos vocais. Pesquisei um pouco e, graças ao Augusto Gomes, encontrei este fantástico álbum e por isso venho hoje falar um pouco dele.

Não vou me deter em alguns aspectos históricos, entre outras coisas, pois existem outros lugares (como aqui, aqui e aqui) que já falaram e eu acabaria me repetindo e/ou dizendo mais do mesmo. Também não preciso repetir mais uma vez que este álbum é incrível, bom com tantos compositores fantásticos e canções igualmente lindas, seria preciso muito talento para não fazer algo bom.

O que realmente me chamou a atenção foram os arranjos das músicas, do Luiz Eça, que simplesmente as transformam em algo maior: vide Água de Beber, que para mim tem o melhor arranjo deste álbum, quiçá seja a melhor versão desta música [o que me faz ter uma vontade imensa de que nós, do coral, cantemos esta música, num arranjo similar]. Além disso, que também não é pouca coisa, existe o fato de eu não ser um grande fã de bossa nova, da influência do jazz e das músicas desse período (o meu lance é a década de 70), apesar de tudo isso, este se tornou um dos meus álbuns favoritos e está na minha lista “você precisa ouvir para saber o que é a música popular brasileira”.

Essa experiência de escutar algo que eu normalmente não escutaria (ou seja, em poucas palavras, qualquer coisa que não seja um sambão dos anos 70) me deixou bem feliz e até me fez pensar em separar um tempo da minha vida para escutar algumas coisas diferentes e ampliar o meu conhecimento em música brasileira, mas daí eu fico com a impressão de que ouvir música viraria algo meio burocrático e não tão prazeroso. E vamos combinar, música, ao menos pra mim, tem a ver com prazer.

Posso estar totalmente errado, mas hoje ainda prefiro ficar com o samba, ainda que meu coração tenha se aberto um pouco mais pra bossa nova e outras coisinhas mais. :)

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Som definitivo | Quarteto em Cy & Tamba Trio | 1966
1 – Zambi (Edu Lobo/Vinicius de Moraes)
2 – Imagem (Luis Eça/Aloysio de Oliveira)
3 – Aleluia (Edu Lobo/Ruy Guerra)
4 – Das Rosas (Dorival Caymmi)
5 – Se Você Pensar (Francis Hime / João Vitório)
6 – Água de Beber (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
7 – O Mar É Meu Chão (Dori Caymmi/Nelson Motta)
8 – Arrastão (Edu Lobo/Vinicius de Moraes)
9 – Apelo (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
10 – Eu Vim da Bahia (Gilberto Gil)

ps: não posso deixar de chamar a atenção para a capa deste álbum, afinal, é da Forma. <3

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Design Gráfico e Educação: Socialização

22/07/2011 § Deixe um comentário

Fechando os posts sobre a relação entre design gráfico e educação (ao menos pré-N Design), hora de falar um pouco sobre o processo de socialização e porque eu acho que isto tem a ver com o assunto. Inicio colocando uma síntese da oficina que levarei ao N, que se propõe a realizar:

Uma discussão aberta e introdutória acerca da relação entre design gráfico e educação, onde pretende-se relacionar os elementos trazidos pelos participantes, se possível, com alguns tópicos referentes à teoria da socialização e da perspectiva da educomunicação.

De imediato já aviso (aos navegantes) que não é objetivo desta oficina ensinar sobre esses temas, o que eu pretendo é plantar a sementinha, iniciar de modo bem superficial para que quem se interesse tenha algum repertório para iniciar leituras e tudo mais [já deixo o convite e as portas abertas para uma discussão em grupo]. Por isso mesmo, já deixo uma bibliografia que eu penso ser básica, ou ao menos foi por ela que eu próprio fui iniciado.

Dito isso, reforço que considero a importância desta discussão ao compreender que a contemporaneidade se remete a um contexto extremamente midiático e tecnológico, ou seja, as relações sociais ocorrem no tempo da cultura das mídias, assim como a produção em design gráfico e a educação. Assim, entendendo que as comunicações estão amplamente presentes em nosso cotidiano, ultrapassando seu caráter meramente informativo e/ou de entretenimento, há que se pensar: o que há nos “bastidores”? O que está “invisível” e precisa ser estudado e compreendido?

Estas primeiras perguntam surgem, então, na minha compreensão, ao compreender que a atividade midiática, portanto, não está isenta, pois aqui a entende-se enquanto produtora e transmissora dos elementos que formam o universo simbólico que nos permitem viver em sociedade, como códigos, padrões e categorias. Por sua vez, tal colocação nos leva a verificar a condição das mídias no processo socializador.

Por socialização entendo, apoiado nos autores da bibliografia, principalmente Setton, como um sinônimo de educação, mas que traz uma abordagem e visão mais ampla, pois não se refere apenas ao ambiente escolar, mas também às interferências e relações com outras instituições como a família, a religião e a mídia. Ou seja, a socialização se remete a uma transmissões de valores, modos de ver, sentir e pensar que estão estreitamente relacionados às relações dos indivíduos com estas instituições. Enfim, “as mídias serão vistas aqui como espaços educativos, na medida em que são responsáveis pela produção de uma série de informações e valores que ajudam os indivíduos a organizar suas vidas e ideias” (SETTON, 2010, p. 9).

Sendo assim, propõe-se uma abordagem mais ampla e crítica da relação entre as mídias e a educação (e eu incluo/questiono o design gráfico dentro disso), observando e compreendendo como ocorrem os processos de socialização difusos, uma vez que a instituição midiática, a nosso ver, ultrapassa a condição de instrumentos, principalmente por possuírem uma face simbólica. Consideramos uma socialização difusa, pois “não possui um lócus de realização concreto, mas se dá a partir da ambiência midiática” (PRAZERES, 2010, p. 4). O que eu quero levantar com estas questões todas é: e o design gráfico e o designer dentro desta rede? Qual sua importância e do que ele produz?

Vale lembrar que nesta perspectiva, entende-se que as mídias possuem uma face imaterial e uma face material: a primeira remete ao conjunto de valores simbólicos nela embutidos, criados e disseminados pela circulação da comunicação; e a segunda remete aos meios de comunicação por onde circulam as informações, entendendo (segundo Setton, 2010) as mídias como produtoras de artigos culturais, disseminados por meio das diversas tecnologias como a internet, as mídias impressas, entre outras.

Enfim, dada esta complexidade existente na formação dos indivíduos contemporâneos e a importância das mídias e tecnologias no cotidiano de todos nós, me interessa muito esta discussão, por entender que tal perspectiva é muito rica e faz o possível para tratar estes assuntos considerando toda sua extensão e variedade. Cabe então refletir sobre o papel do designer gráfico nessa complexa trama.

Claro que não tenho resposta nenhuma e sequer avencei um passo nesta discussão, mas enquanto pessoa que vivenciou certas dificuldades e ausências (de estudos aprofundados e coerentes no design gráfico e a própria prática) creio que tal discussão é deveras rica e pode fomentar algo muito bom e pertinente. O que me proponho é a provocar perguntas.

Finalizo este post exatamente botando no papel o prazer de pensar em tudo isso. E mais, acredito que reside justamente nestas sementes plantadas nos outros, o real valor do N Design, e digo mais: o próprio caráter socializador deste evento, que não apenas ensina e/ou propaga conteúdos e técnicas, mas que permite a transmissão de modos de ver, pensar e agir de um de um ideal de designer, isto sim me parece fundamental – ao menos para mim, que por certas razões me identifico com este ideal.

Restará apenas a pergunta: será que este ideal de designer é coerente ao nosso contexto social, histórico e cultural?

 

 

Referências bibliográficas

BERGER, Peter L. & LUCKMANN, Thomas. “A sociedade como realidade subjetiva”. In: A construção social da realidade. Petrópolis: Ed. Vozes, 1983.

BOURDIEU, Pierre. Estruturas sociais e estruturas mentais. In: Teoria & Educação nº3. Porto Alegre: Pannonica Editora, 1991.

ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.

GIDDENS, Anthony. Modernidade e Identidade Pessoal. Lisboa: Editora Celta, 1994.

KELLNER, Douglas. A cultura das mídias. Bauru: EUSC, 2001.

PRAZERES, Michelle. Mídias e tecnologias na educação paulista: uma mirada sobre a moderna socialização escolar. In: Anais da 33a Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – Anped: Educação no Brasil: o balanço de uma década. 2010. Caxambu, 17 a 20 de Outubro de 2010. Disponível em:  http://www.anped.org.br/33encontro/app/webroot/files/file/Trabalhos%20em%20PDF/GT14-6406–Int.pdf

SETTON, Maria da Graça Jacintho. Educação e mídia: um diálogo para educadores. São Paulo: Contexto, 2010.

______. Família, escola e mídia: um campo com novas configurações. In: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 107-116, jan./jun. 2002.

______. A teoria do habitus em Pierre Bourdieu. In: Revista Brasileira de Educação, ANPED, n. 20, mai./ago. 2002.

Design Gráfico e Educação: Educomunicação

21/07/2011 § 2 comentários

Vamos lá, foi bem difícil de sintetizar as ideias sobre a educomunicação, mas cá estou eu.  Sublinho que a importância desta síntese para mim é de não apenas servir de base para as oficinas que ministrarei no N Design (Design Gráfico e Educação: uma discussão introdutória e Produção de Fanzine e formação do designer), mas também para criar uma certa conexão entre os pensamentos que estão soltos em minha mente. Espero que a coisa toda não fique mais confusa.

Como eu havia dito no outro post, pensar a relação do design gráfico e a educação é algo ainda muito novo para mim, um caminho um tanto quanto desconhecido e cujo apenas os primeiríssimos passos eu dei. Enfim, se esta relação é muito nova e recente para mim, relacionar design gráfico e educomunicação é algo ainda mais fresco ainda, de qualquer maneira faço esse esboço e levo para o N Design pois realmente entendo que nosso tempo é o tempo da comunicação e da tecnologia, e além disso, como sempre diz a Profa. Grácia: todos tem o direito a se comunicar.

Paralelamente, também acho importante reforçar, como bem lembrado pela Grácia, que a noção de educação nesta perspectiva não se restringe apenas ao ambiente escolar e, mais além ainda, uma educação escolar (seja formal ou não-formal): aqui há que se compreender que esta educação vem não ensinar, mas sim fortalecer os indivíduos e os grupos – talvez compreender que nesta perspectiva da educomunicação não há professor, tutor ou etc, mas sim um mediador, traga uma boa ilustração para compreender isto. Tanto é que os grupos são muito mais responsáveis por si próprios do que o mediador ou mesmo outras instituições – sendo assim, qualquer grupo pode adotar estas medidas de “produção” e estabelecer essas práticas, não é preciso que haja alguém formado institucionalmente, com um diploma lindo e tudo mais.

E nós, designers, nos comunicamos? Sabemos o que é isto de fato? Essa preocupação é que me motiva, neste momento. O designer gráfico é um profissional que está intrinsecamente ligado à comunicação, mas será que pensa-se nisso? Ao menos eu, enquanto era estudante de design, nunca pensei e nunca, dentro dos muros da faculdade, fui questionado a pensar. Como alguém que irá desenvolver produtos nesta área não passa por um processo crítico desta ordem? Penso que produzir comunicação na perspectiva da educomunicação não é apenas uma medida formativa para o campo profissional e/ou para uma compreensão crítica das mídias, também é uma medida que visa formar as pessoas em si, conscientes de suas possibilidades, falibilidades, direitos etc.

O que me deu possibilidade de refletir e falar sobre tudo isso foi basicamente a minha vivência no já citado Núcleo de Educomunicação do Lab_Arte FEUSP, mas agrego aqui também alguns pontos do que vi e ouvi no 5º Seminário de Educomunicação (nesse link vocês podem ver este seminário e outros que já aconteceram), promovido pelo Instituto Gens de Educação e Cultura e o Projeto Cala-boca já morreu, cujo tema foi Educomunicação e Design, tendo como convidado Vitor Massao.

Assim, como eu esbocei acima, o que o Massao propõe é, de imediato, a necessidade de desconstruir o que é ser designer, percebendo o que é o mundo comercial. Para ele, e acho que para mim também, o designer tem uma responsabilidade social [digo “acho” simplesmente porque ainda não me detive o suficiente nesta reflexão e no que significaria a “responsabilidade social do designer”].

Na continuidade, Massao apontou são diversas aproximações entre a educomunicação e o design gráfico, e penso eu que um dos motivos disso é a própria prática da comunicação em ambos, embora cada qual com objetivos bem distintos. Por exemplo, a própria metodologia clássica do design gráfico tem pontos em comum com esta perspectiva educomunicativa que tento lhes apresentar: há uma fase conceitual, uma produção etc – enfim, há uma metodologia.

Outra aproximação importante é a presença do trabalho coletivo em ambos, mas aqui há uma diferença muito importante de se notar: a distinção entre grupo e equipe. Enquanto no mercado de trabalho existem equipes de produção, na educomunicação o que há é uma sensibilização em prol da formação de um grupo, ou seja, não é que existam indivíduos que meramente se juntam para a realização de um trabalho específico, mas sim pessoas que se agrupam e realizam de forma coletiva uma produção de comunicação. [Talvez isto não tenha ficado muito claro, esta diferença, mas no momento não tenho palavras melhores para expressar isto]

Claro que as diferenças entre os ambientes onde ocorre o design gráfico (estúdios, escritório, agências) e a educomunicação por si só estruturam as próprias relações, mas talvez nem seja o caso de se pensar em uma prática de design gráfico mais humana no mercado [ao menos não é algo que eu esteja pensando seriamente neste momento]. O fato é que os valores embutidos nas diferenças entre grupo e equipe se reproduzem consequentemente no resultado. De qualquer modo, é interessante pensar em práticas desta perspectiva na formação do designer.

Isto nos leva a retomar, rapidamente algo que escrevi em outro post, falando especificamente sobre o Núcleo de Educomunicação:

“Assim, retomamos também a premissa básica destes encontros, que em pouquíssimas palavras é a criação e produção de comunicação para a experimentação dos meios em relação à educação e para a compreensão e vivência do convívio e trabalho coletivo. Com todas as lacunas possíveis e imagináveis, essa breve frase sintetiza (ou ao menos tenta) o que é o nosso objetivo, digamos assim, com este núcleo. Aqui o que mais nos interessa é o processo em si e não o produto final.

A produção em educomunicação visa estas questões na prática, considerando deslizes, erros e tropeços (comuns a todos neste processo) para a construção de novas possibilidades de convívio, acertos e criação, tudo isso voltado à formação de professores, mas também, à formação das pessoas como um todo.

Enfim, a frase em negrito revela uma premissa fundamental desta prática e que pode ser pensada em relação ao design gráfico: ao mesmo tempo em que no design a metodologia [o processo] é fundante da própria razão de ser deste campo, na sua prática ela é jogada de lado, digamos assim, pois o que fica, o que importa e até o que se preza é o produto final. Claro que este pensamento precisa ser afinado, mas de qualquer modo nos serve de ponto de partida para uma outra reflexão.

Encerrando este tópico, recentemente eu encontrei uma anotação minha, perdida dentro de um livro, uma anotação um tanto quanto ensaística e que de certa forma se refere a esta preocupação metodológica, nela eu escrevi:

Uma vez que o design gráfico não pode ser dissociado da prática, já que ela está inerentemente conectada com a vida cotidiana do designer, talvez seja preciso investigar a própria prática, então, considerando tempos e contextos específicos. Ou seja, ao invés de vislumbrar estudos de caso ou experiências práticas, talvez seja mais interessante se deter no cotidiano de designers, escritórios e estúdios para verificar em que medida estas teorias que nos embasam se verificam presentes e úteis. Deste modo, talvez seja possível pensar o design de fato, e não apenas pensando-o se referindo ao nosso próprio umbigo e às teorias caducas que tanto nos acompanham. Pode ser que assim possibilitar-se-ia uma reflexão prática-teórica que fosse abrangente e importante o possível.

Será? Apenas sei que o importante é continuar duvidando.

ps: quem se interessar por leituras sobre educomunicação, aqui tem alguns textos. A quem interessar, também deixo a primeira parte do 5º Seminário. :)

Uma pausa: a dificuldade da síntese

21/07/2011 § Deixe um comentário

Sinceridade on the table: nada de novo neste post. Apenas senti a necessidade de colocar o quão difícil, embora prazeroso, é sintetizar e botar no papel [ou na tela, neste caso] o que é educomunicação e a teoria da socialização.

Na real, escrever é um pouco difícil, um exercício envolvente e desgastante, cheio de prazer e angústia. Se escrever de um modo mais solto, como faço agora, já exige um bocado de energia, escrever pensando no que os outros disseram, tentando não os copiar, formulando coisas novas, misturando assuntos que ainda não estão totalmente incorporados é algo mais estressante ainda.

Talvez eu esteja jogando lama sobre mim mesmo neste momento, ao dizer que não estou totalmente seguro sobre o que vou dizer e escrever, mas também me sinto na obrigação de falar a verdade, afinal, quem lê ou escuta pode não saber que eu passei quatro anos fazendo design num lugar onde mal se pensava sobre o que é este “fazer” ou então também não sabe que eu ainda estou apenas no segundo ano de pedagogia, experimentando milhares de coisas ao mesmo tempo e que esta é primeira vez que eu paro para escrever sobre isso, entre outras coisas da minha vida que invariavelmente vão se transparecer (e se transparecem) no que eu procuro e faço.

Todas estas questões me levaram a fazer este rápido post inspirado em um princípio básico da prática em educomunicação: o que mais importa é o processo e não o resultado final. Abro o jogo, então: muito provavelmente o que eu vou escrever sobre os temas que quero tratar no N Design vai ser bem raso, simples e talvez até com erros e falhas, mas até certo ponto, “ok”, afinal, ainda não sou nenhum expert em nenhum dos dois tópicos e ambos são muito recentes para mim – e na verdade é um GRANDE desafio tentar relacioná-los com o design gráfico, que por sua vez também é algo bem desconhecido para mim, ao menos as bases teóricas. 

Enfim, bateu um desespero de não conseguir fazer algo bem feito e legal para quem vai ler, para quem estará nas oficinas ou mesmo para que eu possa me orgulhar. Um misto de ansiedade com medo mesmo. Nesse ponto, já me valeu escrever isso aqui, afinal, não estava tão claro que eu tinha tantas expectativas.

Peço então que quem estiver envolvido, de alguma forma, tenha paciência e que também abra o jogo, critique, dê sugestões ou fale o que vier na cabeça, se não for pedir muito, deixe que eu saiba, ao menos um pouco, o que se passa na sua cabeça. Dei a cara a tapa, não posso esperar apenas flores – mesmo porque tudo está em processo ainda. :)

Design Gráfico e Educação: uma introdução

18/07/2011 § 5 comentários

Antes tarde do que nunca, vou começar a falar um pouco sobre o que eu penso sobre a relação entre design gráfico e educação. De antemão digo “eu penso” pois é algo muito embrionário, numa dimensão bem ensaística, digamos assim, que ainda está fazendo sentido e se segmentando no meu pensamento. Por isso, também de antemão, peço desculpas por possíveis contrariedades, falta de eloquência, enganos e qualquer outra característica presentes em formulações em plena gestação (o que me faz “pedir” a vocês críticas e sugestões que a quem ler for plausível).

Contextualizando rapidamente o motivo deste breve texto, e de outros que, oremos, seguirão: em menos de uma semana começa o N Design 2011, no Rio de Janeiro, onde eu ministrarei uma oficina chamada “Design Gráfico e Educação: uma discussão introdutória” – creio que o próprio título já diz tudo. Enfim, e para organizar meus pensamentos para tal ocasião, pretendo rascunhar algumas questões que julgo pertinentes aqui no blog.

Apesar de ser uma elaboração minha, digamos assim, o instrumental teórico e prático que me utilizo para falar veio da minha experiência na Faculdade de Educação da USP, enquanto aluno do curso de Pedagogia, em duas frentes: a participação no Núcleo de Educomunicação do Lab_Arte [Laboratório Experimental de Arte-Educação & Cultura] e as disciplinas relacionadas à sociologia da educação, bem como o projeto de Iniciação Científica do qual eu participei por seis meses.

Ambas experiências ampliaram minha visão sobre as questões relativas às mídias, assim como seu contexto e sua relação com os indivíduos e sociedade. Engraçado foi que tal discussão, em nenhuma instância, jamais foi sequer tangenciada durante minha formação em Design Gráfico – ok, o caso aqui é que os estudos se referem à educação e à sociologia da educação, mas mesmo assim é estranho pensar a formação de um “produtor” de mídias [ou agente participante na produção de], digamos assim, que não passe por esse momento de reflexão. Infelizmente, por motivos de tempo e conhecimento de caso, não tratarei, especificamente, da formação do designer gráfico.

O que eu procurarei introduzir é um pensamento reflexivo acerca do que é “ser designer gráfico” no contexto das mídias, ou seja, um contexto permeado pelas comunicações, mídias e tecnologias – e entendendo que é neste espaço que ocorre a educação do indivíduo e a produção em design gráfico. Este seria o primeiro tópico de discussão, mais na fundamentação dos outros tópicos, e que portanto nos leva imediatamente ao segundo: os processos de socialização.

Entendo por socialização, baseado em autores como Maria da Graça J. Setton, entre outros, um processo mais amplo que o que se entende por educação, ou seja, a socialização se remete a uma transmissões de valores, modos de ver, sentir e pensar que estão estreitamente relacionados às relações dos indivíduos com as instituições familiar, escolar, religiosa, midiática, etc. não estando, portanto, apenas referenciadas à atividade formal de educação, e sim a diversos ambientes por onde os agentes passam e convivem, sendo assim uma transmissão “invisível”.

Finalizando esta longa introdução, o terceiro tópico, e o mais prático, é a abordagem na perspectiva da educomunicação. Tal relação (dela com o design gráfico) ainda é bem nova para mim, mas o que se pretende aqui é, em poucas palavras, uma educação pelos meios de comunicação (que nos leva também à uma educação e reflexão dos meios). Juntando educação e comunicação, o que esta perspectiva propõe (como eu já disse em outro post) é a criação e produção de comunicação para a experimentação dos meios em relação à educação e para a compreensão e vivência do convívio e trabalho coletivo, importando mais o processo em si do que o produto final.

Nos próximos dias vou postar mais falando da socialização e da educomunicação, tentando destrinchar o máximo possível. Ufa! Espero que tenha sido claro e não tenha confundido muito… :)

ps: nos próximos posts eu passo uma bibliografia sobre estes assuntos.

Muito tudo

17/07/2011 § Deixe um comentário

Finalmente, depois de tantos meses, surge um momento para respirar fundo, relaxar [um pouco] e me atirar na vida em si, isto pois passei por umas situações bem desagradáveis e tensas, que me lançaram num tipo de limbo pessoal. Certamente o bom de tudo isso foi a matéria-prima que me foi dada para pensar e repensar coisas da minha vida. Um muito tudo.

E volto bem feliz ao meu querido blog para escrever sobre as partes lindas dessa viagem por este limbo. :)

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Voltar ao desenho

Talvez a principal “mudança” deste período, que vai se transformando em outro neste instante, seja a luz que se aplacou sobre a importância do desenho para mim, e ao menos conscientemente isto se deu pelo meu contato com os desenhos feitos por crianças, em duas instâncias: a própria experiência do convívio e contato direto com algumas crianças que desenham fantasticamente e o contato com a Profa. Márcia Gobbi (FEUSP) e Gianfranco Staccioli no Seminário Infância e suas Linguagens, na FEUSP.

Assim, tanto numa visão mais prática, como numa mais teórica, essa vivência me trouxe de volta ao prazer de desenhar, já mais desligado das pretensões que tanto me engessaram. Poxa, o desenho está aí – e as crianças me mostraram isso de forma franca e simples. Claro que isto não significa que eu vou sair fazendo uns rabiscos infantis etc, a “questão” para mim é poder fazer as pazes com o lado do prazer de desenhar, em mim. E isto significou para mim fazer as pazes com o mangá, ou seja, não tentar se afastar e distanciar de algo que tanto me influenciou e me fez ter prazer máximo em desenhar, mas sim compreender simbolicamente o que é isso e me unir de novo.

É claro que não tenho pretensões de ser um mangaká ou que só vou “desenhar mangá”, mas na realidade esta situação me põe em xeque, me põe num lugar um tanto quanto antropofágico de realmente incorporar completamente isto, sem medo do que pode vir. De qualquer modo, hoje eu estou tão mais de bem com os meus desenhos, que só tenho a festejar estas pazes. :)

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Repertório – uma busca sem fim

Paralelamente a tudo isto, voltei a pensar em como eu ainda preciso de repertório [os projetos que me “meti” para o segundo semestre me deixaram inseguros quanto isso, fora o fato de eu sempre querer mais e nunca estar satisfeito]. Essa busca de repertório obviamente me leva ao início deste blog, quando a ideia era criar um “caderno de atividades culturais”. Claro que hoje a medida é diferente, e o próprio porquê, mas tudo isso me fez pensar como somos “escravos” dessa gana e sede – não pensando de um modo meio maquiavélico, claro, mas com tanta coisa acontecendo, com tantas solicitações externas, tantas pressões, parece-me não haver uma escapatória. Afinal, creio que os objetivos que tracei, me põe nessa situação de almejar mais conhecimento. É, de algum modo, a minha maneira de alcançar o poder.

Filosofia de blog a parte, esta busca incessante me fez traçar uma lista de museus paulistanos que ainda não conheço [entre outras coisas, como filmes, livros etc], para conhecê-los e visitá-los. Será que conseguirei antes que minhas férias terminem? Aguardem os próximos capítulos desta saga.

Enfim, escrito tudo isso, vejo que esse é o meu modo de ir contra o ostracismo que me dominou por alguns meses. Agora, se sobreviverei [ou se me manterei minha sanidade – oi?] é outra questão, bem importante inclusive, mas que neste momento eu deixo um pouco de lado. Muito tudo.

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Aliás, pra quem não conhece, fica o vídeo da música muito tudo, do Walter Franco. :)

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