Quem lucrou fui eu

22/02/2012 § 1 Comentário

Pra começar, vamos ser óbvios: começando pelo começo, a primeira playlist só poderia ser sobre o fim de um romance. Mas, vejam bem, não um fim melancólico [chorando no tapete atrás da porta], sim um fim em que quem foi rompido dá a volta por cima e vai festejar o teu sofrer, o teu penar.

Começo por aqui pois, quando eu voltei a ouvir samba, eu estava num namoro, que pouco tempo depois terminou. Na época, estava escutando os quatro volumes do Casa de Samba [projeto encabeçado pelo grande Rildo Hora], onde foram regravados sambas como “Lenço”, Você passa, eu acho graça”, “A flor e o espinho” e “Volta por cima” [em duetos muitas vezes inusitados e bem sucedidos, outras vezes não]. E foram justamente estes sambas que citei que imediatamente me tocaram, por serem canções que retratam o fim de um amor: de uma forma ou de outra mostram um sofrimento pelo amor desfeito, mas também não ficam apenas lamentando.

Claro que as situações expostas nas músicas não foram 100% do que ocorreu comigo e com o fim do meu namoro, mas viver aquilo como se fosse verdade me ajudou. E foi justamente o ritmo quente que me (re)encantou, afinal, porque as músicas de fim de romance tem de ser tristes? Ver que a alegria que existia, e que estava no samba, me reconfortava e deu uma boa força – foi esse o meu primeiro prazer nessa volta.

O samba “Quem lucrou fui eu”, do Monarco, e que dá o título desta playlist, além de sintetizar o tema desta compilação, também remete ao fato de ter sido um fim de romance que intensificou a minha volta ao samba, bem como fez com que ele fincasse raízes. Ou seja, sim, quem lucrou com este fim de namoro fui eu.

Nesta playlist eu foquei bastante nos sambas que eu ouvia na época (que é o caso de “Samba de um minuto”, além dos já citados oriundos da Casa de Samba) ou que, hoje, eu vejo que tem muito a ver com o tema – todo o resto de sambas. Claro que as versões que coloquei aqui não são, necessariamente, as que eu ouvia quatro anos atrás, exceto pelo dueto do Noite Ilustrada e da Cássia Eller de “Você passa, eu acho graça”.

Enfim, chega de papo e bóra curtir um bom samba e espantar a desilusão. :)

Quem lucrou fui eu by Shin Hatagima on Grooveshark

Teu amor é falso | Duani Martins
Mariana Aydar | Peixes Pássaros Pessoas | 2008

Derramando lágrimas | Alvarenga O Samba Falado e Délcio Carvalho
Clara Nunes | Clara | 1981

Vou deitar e rolar (quaquaraquaquá) | Baden Powell e Paulo César Pinheiro
Elis Regina | Em pleno verão | 1974

Mal de amor | Mauro Diniz, Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho
Mauro Diniz | Raça Brasileira | 1985

Samba de um minuto | Rodrigo Maranhão
Roberta Sá | Que belo estranho dia pra se ter alegria | 2007

A flor e o espinho | Alcides Caminha, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho
Elizeth Cardoso | Elizeth sobe o morro | 1965

Volta por cima | Paulo Vanzolini
Dóris Monteiro | Gostoso é sambar | 1963

Quem lucrou fui eu | Monarco
Maria Creuza | Maria Creuza e os grandes mestres do samba | 1975

Sorriso aberto | Guará
Jovelina Pérola Negra | Sorriso aberto | 1988

Você passa, eu acho graça | Carlos Imperial e Ataulfo Alves
Noite Ilustrada & Cássia Eller | Casa de Samba 4 | 2000

Lenço | Francisco Santana e Monarco
Monarco | Monarco | 1976

Vou festejar | Naoci, Dida e Jorge Aragão
Beth Carvalho | De pé no chão | 1978

Ao voltar do samba | Sylval Silva
Ná Ozzetti | Balangandãs | 2009

Alegria | Cartola e Gradim
Velha Guarda da Mangueira * | Raízes da Mangueira | 1958

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* Coloquei aqui Velha Guarda da Mangueira, mas segundo alguns sites de banco de dados de gravações, o artista deste álbum não é considerada a Velha Guarda em si. No Discos do Brasil, você pode conferir que são “vários intérpretes”, mas os cantores desta faixa são, em coro, Babaú, Cartola, Jorge Zagaia, Jurandir da Mangueira, Nelson Sargento e Xangô da Mangueira.

Quatro anos de samba

22/02/2012 § 1 Comentário

Há quatro anos estava eu revirando alguns CDs velhos em casa e escutando alguns LPs na casa da minha tia: foi o começo da minha “volta ao samba”. Depois de um bom período, me deu a vontade súbita de escutar novamente coisas que eu gostava quando era menor. Desde então não parei mais e hoje relembro um pouco de tudo isso.

Eu pensei em várias palavras e frases empoladas e dramáticas para este texto, mas quero me distanciar disso, na medida do possível, pois sinto que elas diminuem o que eu realmente gostaria de expressar.

Voltar a escutar samba foi muito bom, foi muito importante e não foi simplesmente uma coisa banal. Coincidiu e deu força a um próprio movimento da minha vida, de resgate, um resgate sobre quem eu era / sou. Sei lá, é muito difícil explicar com palavras neste momento, muito pois é a primeira vez que eu paro especificamente para pensar e escrever sobre isso.

De qualquer forma, essa volta foi como voltar a raiz. Não sei bem que raiz ou que tradição inventada é essa [e aqui eu estou usando palavras fortes, dramáticas e explosivas para tentar expor algo que não sei bem o que é], mas, em outras palavras, esse retorno à fonte foi um indicativo de uma mudança de visão de mundo que eu tinha, foi a pista mais visível do meu interesse, gosto e preocupação com elementos da nossa cultura nacional [ainda que eu saiba, vejam bem, que o não é samba o elemento único ou da gênese da cultura brasileira, apenas pontuo como um dos caminhos que nos podem levar a esta investigação – e aquele que eu escolhi neste momento]. Enfim, o fato é que depois de voltar a escutar samba eu comecei a pensar nessas coisas e desse modo, o que me leva, invariavelmente, a pensar que essa retomada, essa volta, foi essencial para que hoje eu esteja aqui [fisica e virtualmente falando].

E penso que apenas hoje, depois destes anos, seja possível fazer essa retrospectiva pois sinto que estou atingindo uma certa “maturidade” no samba. O que quero dizer é que agora estou ampliando o espectro do que eu ouvia, procurando coisas que eu ainda nõ ouvia, escutando novamente músicas que eu anteriormente não gostava, tentando rever alguns preconceitos e, principalmente, com vontade de participar mais, de ir aos lugares, às rodas, aos blocos, aonda quer que seja. Agora chegou o momento de sair pelas ruas, não apenas ficar gostando e curtindo samba dentro de casa ou no meu iPod.

Enfim, este, como vocês podem ler, é um post de introdução. Nas próximas semanas e meses, pretendo colocar aqui algumas playlists me debruçando por essa breve história, destes quatro anos. A história em si é um tanto conturbada e alguns fatos já estão meio apagados da minha memória, mas de pouco a pouco tentarei retomá-la.

Agora é deixar o samba passar. :)

Feliz ano novo – de novo

01/02/2012 § Deixe um comentário

Eu realmente estava preparando um posto todo rebuscado e introspectivo para comemorar a minha passagem de ano (que é um tanto quanto espiritual e, apenas os mais próximos vão entender). Mas… pra quê?

Uma coisa que me ajudou/alegrou/animou neste mês de limbo [também conhecido como Janeiro] foi voltar a escutar uns bons sambas da Beth – ao menos de maneira mais “sistemática”. Então eu deixo o samba falar por mim, deixo um samba que de uma certa maneira traduz o que eu espero/quero/desejo, para todos nós, neste ano. :)

Deixa a Beth cantar!

Xô gafanhoto!

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