Dança na Virada Cultural 2009

06/05/2009 § 1 Comentário

quasar cia de dança

Como eu já disse no outro post, este ano, pela primeira vez, fui na Virada Cultural. No fim acabei assistindo apenas dois espetáculos, um inteiro e outro quase, e curiosamente os dois foram de dança. O melhor é que ambos foram fantásticos e valeram todo o desgaste. Obrigado ao Ballet da Cidade de São Paulo e a Quasar Cia. de Dança.

Em suas coreografias contemporâneas as duas companhias exploraram coisas em comum, mas também elementos distintos. O Ballet da Cidade, com o seu Dualidade@BR, criou uma coreografia contagiante e utilizou a música de modo altamente expressivo, assim como o Quasar, com Só tinha de ser com você. Verdade seja dita, com muito mais propriedade, o Quasar executou uma coreografia muito mais segura e “com os pés no chão”, sem grandes acrobacias, ao contrário do Ballet da Cidade, que apostou nos movimentos aéreos e numa aproximação circense. É bem verdade que o Quasar contava com uma trilha musical de apelo e conhecimento popular, vinda do álbum antológico Elis & Tom, enquanto o Ballet usou música instrumentais e fados, ambos inteligentíssimos. Assim posso resumir, ao mínimo, as sensações.

Não posso deixar de comentar o espetáculo particular que é assistir dança, algo tão elitista e fechado, em um palco aberto e com um público tão heterogêneo. Tudo isso apenas potencializou a expressão, que era visível e audível, no olhar para o povo. Havia concentração na platéia, era espantoso o silêncio, e também a comoção. As pessoas batiam palmas com toda a força, gritavam, ou seja, a resposta para qualquer um que ache que a dança é apenas para os “iniciados”.

E é isso que eu tenho a falar, hoje.

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Ballet da Cidade de São Paulo
Dualidade@BR
Coreografia: Gagik Ismailian
Elenco: Gustavo Lopes, Paula Zonzini , Melissa Soares , Gleidson Vigne , Robson Lourenço , Silvia Machado , Willy Helm , Jorge Garcia , Kênia Genaro, Erika Ishimaru, Israel Alves
Ano: 2001

Quasar Cia. de Dança
Só tinha de ser com você
Coreografia: Henrique Rodovalho
Elenco: Aretha Maciel, Daniel Calvet, Fernando Martins, Luciane Fontanella, Valeska Gonçalves, Camilo Chapela, Erica Bearlz, Henrique Lima, Simone Camargo
Ano: 2005

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Virada Cultural 2009

02/05/2009 § 1 Comentário

virada-cultural

Brasil, notinha super rápida!

Amanhã, a partir das 18h, até às 18h de domingo, rola a Virada Cultural! Neste ano, um pouco reduzida, mas ainda sim com muitas e boas opções pra sair e se divertir. Não vou me alongar mais, porque se você quer saber mais sobre a Virada e sua programação, entre no site oficial e no IG, que está com uma ótima cobertura, e saiba mais.

Vou deixar com vocês a minha provável rota, assim, quem sabe a gente não encontra por aí, não é? =)

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2/5

18h15 – Palco Anhangabaú – Ballet da Cidade/Dualidade@BR

19h – Palco Anhangabaú – Ballet da Cidade/La Valse

19h45 – Palco Praça Ramos – MASS Ensemble/Earth Harp

23h30 – Palco Anhangabaú – Quasar Cia. de Dança/Só tinha de ser você

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3/5

0h – Palco Av. São João – Marcelo Camelo

1h50 – Palco Lgo. Sta. Efigênia – Curumin

12h50 – Palco Av. Rio Branco – Juliana Amaral e Gafieira Etc. e Tal

15h – Palco Av. São João – Novos Baianos

Três momentos da Cisne Negro

11/04/2009 § Deixe um comentário

trama cisne negro cia de dança

Nesta última quinta-feira a Cisne Negro Cia. de Dança apresentou no SESC Vila Mariana três coreografias de seu recente repertório: Fruto da Terra; Cherché, Trouvé, Perdú; Trama. Nessa minha vida, se não me engano, já havia visto alguma coisa desta particular e bela companhia de dança, mas de nada mais me lembrava. Eis que decidi ir ao espetáculo de ontem, que não espantosamente, me deixou boquiaberto.

A bela delicadeza da exploração dos movimentos é, o que me parece, a principal virtude da Cisne Negro, mas não a única. A reunião dessas coreografias, nesta ordem, foi tão bela e forte, que mal posso explicar. Quando Fruto da Terra começou, um clima de tensão se revelou: entre a brutalidade do trabalho braçal e a dança apresentada havia um abismo, que tão logo foi rompido, mesclando a repetição da labuta com a poesia da coreografia. No término, eu estava abismado com tamanha harmonia deixada no ar e minha cabeça fervilhava com tudo isso.

O segundo bloco trouxe Cherché, Trouvé, Perdú; Procurar, Encontrar, Perder. De força expressiva angustiante, essa coreografia lançou-se ao campo dos sentimentos e formas humanas, não importando mais nada, que não o próprio ser, que somos nós. A contemporaneidade estava clara neste momento e contrastando com o primeiro bloco, mostrando a potencialidade da Cisne Negro. Não havia medo, era uma força antes contida que agora se atirava no palco.

Por fim, veio Trama, que sintetizava a pesquisa de uma sociedade com a agilidade do contemporâneo. Com cenário e tema brasileiro, esta coreografia esbanjava beleza e magia. Com certeza a mais bela das danças apresentadas, pelo menos, para mim. Tudo em seu devido lugar, trabalhando o cotidiano com a poesia, o popular e a brincadeira com a complexa trama do povo brasileiro, a profundidade com o riso. Inclusive a imagem deste post é desta coreografia, onde o cenário e o figurino ressaltavam todos esses aspectos.

Eu não me lembrava que a dança era algo tão prazeroso. Como designer eu sinto que há muito há explorar. Há tanto que aprender, e eu me sinto melhor por ter vivenciado tal apresentação. Tantas vezes nos fechamos em nossos mundos, criando um isolacionismo tão besta que nada tem a nos acrescentar. O tempo para todos nós é escasso, queremos viver e ser livres. Mas ontem ficou claro. Mesmo você aí, que não gosta de dança, ou de qualquer coisa, deve um dia se dar para o desconhecido, se jogar, assim como os protagonistas desse espetáculo, e deixar-se levar pela boa maré do mundo das artes, e aí experimentar um pouco da liberdade.

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Cisne Negro Cia. de Dança
Direção: Hulda Bittencourt
Elenco: Carolina Grizante, Carolina Martinelli, Denise Siqueira, Diogo de Carvalho, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Isaac Araújo, Joel de Oliveira, Leandro Neves, Nelson Luiz, Naiane Avelino, Rebeca Ferreira, Ricardo Alves, Rossana Boccia, Victoria Oggiam.
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Fruto da Terra
Coreografia: Itzik Galili.
Ano: 1999
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Cherché, Trouvé, Perdú
Coreografia: Patrick Delcroix.
Ano: 2002
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Trama
Coreografia: Rui Moreira.
Ano: 2001

A graça da dança

12/03/2009 § Deixe um comentário

cia suspensa

Ontem, depois de muitos anos, fui assistir um espetáculo de dança. Desde de dezembro que estou ensaiando esta ida, mas por diversos motivos só agora foi possível ir assistir. Estava com receio, afinal, de todas as artes a dança é a mais distante de mim. As outras apresentações que eu já tinha visto não me chamaram a atenção, logo minha impressão sobre essa delicada arte não era das melhores. De qualquer modo, por decidir que esse ano seria (e será) um ano excepcionalmente artístico, a dança voltou a minha vida. Escolhi um espetáculo da Cia. Suspensa, para quem eu já havia feito um folder, quando eu estagiava no SESC, mas ainda sim havia um receio. Porém todo esse grande pensamento escondido ruiu às 21h, quando as cortinas se abriram.

De imediato não havia nada demais, é fato, mas a construção do movimento, da harmonia, da composição no palco, logo começaram a me inspirar, espantar e levitar, junto com os dançarinos que flutuavam no espaço. Se nos outros posts eu pretendo escrever sensações, nesse eu consiguirei extrapolar isso, pois não tenho o que falar criticamente, mesmo que quisesse. E é essa inocência perdida que me fascina ainda mais.

Tanto faz, o que importa é que “De Peixes e Pássaros” há uma essência natural, que conduz a dança como modo de libertação. Uma frase estranha, concordo. Ver todo o movimento, tudo se construindo de modo tão nu, foi como a saída do aquário para o mar, da gaiola para o céu. Pouco me importa se havia inspirações de Marc Chagall ou uma busca de dramaturgia. O que realmente importa foi um primeiro contato com uma arte de delicadeza violenta, onde os movimentos estão livres da palavra e logo são tão abstratos que o que realmente interessa é sentir.

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Título: De Peixes e Pássaros
Autoria: Lourenço Marques, Patrícia Manata, Tana Guimarães.
Direção: Tarcísio Ramos Homem.
Elenco: Lourenço Marques, Patrícia Manata, Tana Guimarães.
Ano: 2009

P.S.: Pra quem quiser saber mais sobre o espetáculo, clique aqui! Hoje eles também fazem uma apresentação, lá no SESC Pinheiros. A foto da qual eu tirei o detalhe lá em cima, é de outro espetáculo deles, “Pouco Acima”.

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