As cores de Albers

19/03/2009 § Deixe um comentário

josef albers homenagem ao quadrado

Quem já estudou a história do design com certeza já ouviu falar nesse homem, eu mesmo já havia ouvido falar, mas não lembrava de nada com clareza. Somente com a chegada de duas exposições sobre seus trabalhos aqui em São Paulo, no começo de março, que eu pude compreender o tamanho de sua obra. Estou falando do professor, pintor, designer e tipógrafo alemão: Josef Albers.

Em algum momento o nome dele já tinha sido pronunciado em alguma aula sobre a Bauhaus, mas por algum motivo ficou por isso mesmo. Mas a magnitude de seu trabalho é tamanha que não me deixa compreender o porquê desse “esquecimento”. Apesar de tantas áreas que Josef explorou, sua maior contribuição, ao meu ver, foi no estudo das cores. Com a série de quadros Homenagem ao Quadrado (1950/76) e com o livro A Interação da Cor (1963), Josef expôs a cor como ainda não havia sido estudada. É difícil explicar aqui tudo isso, mas de certo modo ele explorou a cor em seu sentido psicológico e de modo empírico. Em Homenagem ao Quadrado, ele estudou diversas de possibilidades de combinação cromática, e era isso que ele ensinava. No livro, ele propõe que cada um de nós faça o mesmo.

josef albers fonte

Josef desde o começo de sua carreira trabalhou lecionando, o que nos leva a crer num amor pelo ensino. No começo da carreira foi professor de escola primária, depois professor de arte, tudo isso numa região próxima da sua cidade natal: Bottrop. Até que, em 1920, entrou na nova escola que surgia, a Bauhaus, em Weimar. Lá se especializou em pintura sobre vidro, até que, em 1923, virou professor do curso preliminar da escola. A partir daí trabalhou também com metal, projetou móveis e tipos.

Na ascensão nazista e com o fechamento da Bauhaus, Josef iniciou sua carreira de pintor abstrato. Junto com sua mulher, a também designer Anni Albers, Josef foi para os Estados Unidos. Lá, os dois começaram uma série de inúmeras viagens para a América Latina, em busca da arte pré-colombiana, pela qual eles se apaixonaram e que foi influenciando os dois. Josef primeiramente foi lecionar no Black Mountain College, mas depois de um tempo eles foram se mudando e passaram por diversas universidades norte-americanas e, paralelamente, Josef foi realizando sua série Homenagem ao Quadrado, que somente findou com sua morte.

Em 1971, o MoMA (Museum of Modern Art, de Nova York), realizou uma retrospectiva de seu trabalho, tornando assim Josef o primeiro artista vivo a ter uma retrospectiva em vida naquele museu. No ano de 1976, Josef Albers morreu em New Haven, deixando um extenso legado ao design e às artes visuais.

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Josef Albers (1888-1976) Bottrop, Alemanha – New Haven, Estados Unidos.

The Josef & Anni Albers Foundation / Wikipedia

josef albers lecionando

Imagens e fantasias de Amano

19/03/2009 § 1 Comentário

yoshitaka amano final fantasy 6

Pra começar a série de posts sobre grandes mestres do design, ilustração e/ou artes, vou falar um pouco de um desenhista e ilustrador que eu sou doido doido doido: o japonês Yoshitaka Amano.

Amano possui um estilo muito próprio e denso, com inspirações no Art Nouveau e na arte psicodélica, além das influências nas diversas técnicas de desenho e caligrafia japonesa. O que mais me deixa boquiaberto é a propriedade que ele tem na criação de mundos oníricos, fantásticos e extremamente belos. Sua delicadeza é tocante, e em nos traços, cores e formas ele deixa explícito tudo isso que eu estou falando. Bom, pelo menos pra mim. Não escondo que sou apaixonado e influenciado pelo trabalho dele.

yoshitaka amano final fantasy 3

Seguindo sempre sua linha estética, baseada nesses elementos que eu levantei, Amano já trabalhou em diversas áreas, substratos e temas: No começo de sua carreira, Amano esteve ligado ao mundo dos mangás e animes (quadrinhos e animação japonesa, respectivamente), desta safra destacam-se seus trabalhos em Vampire Hunter D e The Adventures of Hutch, the Honeybee.

Mas no final da década de 80 ele rumou para o mundo dos vídeo games, onde fez fama e criou grandes trabalhos, como as ilustrações e personagens da série Final Fantasy (exatamente até a sexta edição, de onde vem a ilustração lá do alto). Durante este período também começou a criar cenários e figurinos teatrais, sendo a primeira para a peça Nayotake (1988).

Depois de se desligar, mas não completamente, da série Final Fantasy, Amano foi rumando por outros caminhos e, em 2000, fez as ilustrações de Sandman: The Dream Hunters, de Neil Gaiman. Já em 2001 fez as ilustrações para a HQ Elektra and Wolverine: The Redeemer. Tempos depois ele voltou a se encontrar com Gaiman e criou para a revista V-Magazine uma nova história, intitulada The Return Of The Thin White Duke, onde o personagem principal é inspirado em David Bowie. Atualmente Amano continua com seus projetos pessoais e expondo pela Europa inteira.

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Yoshitaka Amano, 56 anos – Nascido em Shizuoka, Japão.

Site oficial / Wikipedia / Imagens / Mais imagens

yoshitaka amano sandman

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