Três livros, três momentos, três pausas

20/01/2012 § 3 comentários

Escrevo pra não me esquecer.

Luz em agosto

Comecei a ler esse livro muito tempo atrás, não sei nem colocar uma data aproximada. Só sei que quando eu comprei o livro, eu estava em busca de um autor que eu ainda não tinha lido nada e fui influenciado por uma nota, da época do lançamento dessa edição. Nem me lembro direito da resenha, obviamente, mas me lembro bem que ela me deixou um tanto quando instigado a ler – talvez por citar o ar sombrio e desolado que existe no livro. Este livro fez bem pra mim, um bem pelo mal: da densidade e perturbação, do clima escuro, sóbrio e soturno, da ríspidez e brutalidade de cada linhas… mas mesmo assim eu o abandonei.

 

 

Os sofrimentos do jovem Werther

Ano passado eu fiz um curso de alemão, apenas o básico, gratuito, na Faculdade de Educação. Não nego que eu fiz apenas para ter um certificado e contar para as horas de estudo independente que a grade de pedagogia nos obriga a fazer. Pois bem, mas daí eu descobri que a língua alemã é muito mais interessante e legal do que eu imaginava: ela realmente me encantou – anteriormente, em contato com a obra de Norbert Elias, eu já havia me aproximado da língua e cultura, por assim dizer, mas não com a mesma amplitude do estudo da língua em si. Ao mesmo tempo, descobri esse livro na casa da minha tia. Peguei, comecei a ler, me acostumei com a estrutura e linguagem, aprendi a gostar da situação, dos personagens, me envolvi e daí… parei.

 

 

A Era da Revoluções

Entender a história, tudo começou assim. E com isso em mente, fui na Feira de Livros da USP, procurando livros que me ajudassem a entender um pouco mais sobre os nossos tempos – por mais banal e clichê que possa e soe essa frase. Logo que entrei na FEUSP, li um texto do Hobsbawm, do seu livro “A invenção das tradições” e fiquei alucinado por ele [não estou sendo exagerado]. Quando descobri que ele tinha uma série de livros que tratava sobre o século XIX, período que sempre foi um mistério para mim, resolvi caçá-los. Nesta feira eu comprei os três volumes e comecei a ler o primeiro [o citado livro]. Apesar da quantidade de informações surreais para um “leigo”, eu me senti, pela primeira vez, vendo as coisas com um pouco mais de perspectiva. Num crescente, eu fui querendo mais, lendo mais, entendendo [ou não] mais, prosseguir mais e, de um dia pro outro, deixei o livro de lado.

 

E o ano começou, com esses três livros pela metade, e tantos outros sequer iniciados.

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Tipografia: uma apresentação

06/10/2009 § Deixe um comentário

Hoje o assunto é um livro que eu comprei há mais de um ano e que ficou encostado todo esse tempo. Não por ser chato ou muito grande ou difícil; parado ficou pois eu estava todo absorvido pelo meu TGI e outros probleminhas dessa vida. Mas eis que esses dias eu peguei para ler e o fiz em três dias! A obra em questão é o livro da carioca Lucy Niemeyer, publicado pela Editora 2AB: Tipografia: uma apresentação.

tipografia uma apresentação lucy niemeyer

O livro, de 112 páginas, é um pequeno manual introdutório sobre um assunto deveras complexo e essencial para qualquer designer gráfico: a tipografia. Com uma linguagem fácil e acessível, é perfeito para uma apresentação ao assunto (como já bem diz o título). Nessas poucas páginas Lucy nos resume a história da tipografia, com suas espécies e partes, além de ensinar sobre o seu reconhecimento, sua classificação (segundo a Classificação tipográfica Vox/ATypI) e falar um pouco sobre as fontes digitais. Na parte final ela também fala um pouco sobre a usabilidade das fontes, seus recursos e possibilidades de intervenção na diagramação.

Sim, é muito assunto para tão poucas páginas, mas Lucy escreve de uma maneira tão gostosa e sintética (sem ser vazia) que vale para iniciar os estudos, relembrar de alguns pontos ou apenas inspirar/começar alguma pesquisa. E é bem aí que está o trunfo do livro, é um pequeno manual para ser lido rápido e inflar dentro de cada um de nós o gosto de “quero mais”. Ou seja, se você está a procura de um start tipográfico, eu recomendo esse belo e pequeno livro. =)

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Tipografia: uma apresentação
Lucy Niemeyer
Rio de Janeiro, Editora 2AB, 2000

Flicts

08/09/2009 § 2 comentários

Pra retornar (e retomar) ao blog, eu decidi escrever sobre algumas coisas específicas que me influenciaram (e influenciam muito), dentro e fora do campo profissional. Inaugurando essa pequena série pessoal vou postar sobre um pequeno livro que eu gosto muito e que me faz ter muita vontade de criar. É um livro ilustrado, um livro infantil, um livro cheio de força: Flicts, do grande Ziraldo.

Flicts, do Ziraldo

Ziraldo, que é uma figura reconhecida em diversos campos, publicou esse livro há 40 anos (sua primeira edição data de 1969). Partindo com muita simplicidade, Ziraldo cria uma história simples e tocante (uma cor a procura do seu lugar no mundo) que possibilita uma diversa gama de leituras e interpretações. Com a simplicidade desse enredo, cheio de possibilidades e extremamente visual, ele põe a ilustração como elemento chave, e as cores como as grandes protagonistas. Pondo à mesa uma estética moderna e indícios minimalistas, Ziraldo traz esse mundo de referências para as ilustrações do livro, carregando-o de força e significação, utilizando todas as possibilidades expressivas das cores.

flicts vermelho flicts amarelo

flicts azul

Assim, o que eu posso recomendar é: leia essa pequena obra. É uma singela aula sobre a cor, a ilustração e, porque não, sobre a vida. :)

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UPDATE: acabei de ver no lindo blog amenidades do Design, uma pequena seleção de cartazes do Ziraldo, que estão compilados no livro do Ricardo Leite (Ziraldo em Cartaz). Confiram! =)

Segundo encontro

15/03/2009 § Deixe um comentário

caçando carneiros

Acabei de terminar a leitura do livro Caçando Carneiros, do escritor japonês Haruki Murakami. Estou pasmo. Talvez não haja muito para escrever exatamente pelo estado de espírito que me consome neste domingo. Um lirismo foi libertado, um pungente sofrimento de domingos abertos para o futuro. Acabei ficando inspirado, vou acabar escrevendo de outro modo hoje.

O livro é sobre um carneiro, mas também é sobre o encontro. Esse encontro, sempre esse encontro, me faz tremer e sentir de coração puro. Este é o segundo livro que leio de Murakami, o primeiro foi o íntimo Norwegian Wood. Os livros são bem distintos e pelo que percebo, neste último livro citado o escritor está muito mais maduro, o que não tira de modo algum o brilho de Caçando Carneiros. É só lendo que podemos ter a real matéria da obra em mãos. Não adiantaria eu tentar esboçar algo aqui, de tão inútil ficaria sendo ridículo.

Fazia muito tempo que um livro não me desconcertava tanto, é um fato. Murakami trabalha com uma irrealidade cotidiana, que se eleva em um certo tipo de comédia, conferindo assim ao livro, como um todo, um caráter de leve non sense mas descontração também. Ninguém tem nome no livro, quando são nomeados, recebem nomes ligados aos animais (Rato, Sardinha, Doutor Carneiro) ou uma abreviação, pouco elucidativa (J). Mas a narrativa é tão precisa e coesa, que isso não abre brechas para confusão. Tudo em prol de uma busca de um carneiro, que acaba se misturando com a busca de um sentido. Talvez não, pensando bem, a busca é uma obsessão ou ainda um modo de escape subconsciente. Embora nada disso faça a menor importância.

É. Não há nada mais que eu possa extrair das sensações que me permeiam. O que sobrou é, de certo modo, ininteligível, sensações puras, vontades de espíritos. É o desejo de largar tudo e correr para a solidão, numa busca aleatória, que de tão irreal se torna concreta e plausível… mas apenas para quem deseja encontrar. Assim eu poderia resumir no extremo, esta obra literária de Harumi Murakami.

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Título: Caçando Carneiros
Título Original: Hitsuji o meguru boken
Autor: Haruki Murakami
Ano: 1982

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